AL produz cerca de 2 vezes mais energia do que consome, diz reitor da Ufal
Em palestra de abertura, Josealdo Tonholo destacou a necessidade de gerir melhor a energia excedente no Estado

Jamylle Bezerra
28/04/2026 às 10:44 • Atualizada em 28/04/2026 às 14:30 - há XX semanas
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O reitor da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Josealdo Tonholo, proferiu a palestra magna de abertura do Gazeta Summit Alagoas 2050 - Energia, evento promovido pela Organização Arnon de Mello (OAM), nesta terça-feira (28), na Associação Comercial de Maceió, no bairro do Jaraguá. Diante de um público seleto, ele falou sobre “Transição energética e desenvolvimento - O papel do Brasil até 2050" e destacou o grande potencial do Estado para produção de energia limpa.
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De acordo com Tonholo, Alagoas produz cerca de duas vezes mais energia do que consome, ofertando uma segurança energética encontrada em poucos lugares do país. Para ele, o problema não é a oferta, mas a distribuição e a infraestrutura existentes atualmente.
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“Alagoas não corre risco de apagão local por falta de geração. Estamos em uma condição energética extremamente privilegiada. Temos muita energia renovável, muita energia sobrando neste momento, mas com dificuldade de apropriar essa vantagem em favor da nossa gente, dos nossos empreendimentos”, pontuou o reitor.
Ele citou o cenário mundial de guerra vivido atualmente, motivado, em grande parte, dentro do contexto da energia. Ao mesmo tempo, lembrou o aquecimento global e as mudanças climáticas que têm feito muitas empresas entenderem que precisam se reposicionar e observar melhor a questão da descarbonização e da sustentabilidade.


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Josealdo Tonholo apresentou os documentos mais relevantes focados no setor energético local e mundial e citou também o grande consumo de energia ocasionado pelo uso da Inteligência Artificial, o que exige mudança de postura por parte das grandes empresas.
“Todo esse cenário que vemos hoje exige mudança. Quando falávamos de Inteligência Artificial, ninguém lembrava da quantidade de energia que ela usaria e dos impactos disso para a sociedade. Viemos de um cenário onde, na década de 70, se falava em ecologia; na década de 90, passamos a usar o termo sustentabilidade; nos anos 2000, pensamos que o grande desafio seria o consumo consciente da água, mas, com a Inteligência Artificial, a questão da energia voltou à tona, porque são litros e mais litros de água consumidos para fazê-la funcionar”, diz.
Durante a palestra, o reitor da Ufal também posicionou Alagoas dentro do cenário brasileiro e mundial, apontando, por exemplo, percentuais como o de renovabilidade total, que é de 82,5%, enquanto, no Brasil, é de 49,1% e, no mundo, de 14,7%; de produção de biomassa, que, em Alagoas, é de 51,3%, no Brasil, é de 19,1% e, no mundo, de 10%; e de hidrelétrica, que, no Estado, é de 31,2%, no Brasil, é de 12% e, no mundo, de 2,5%.
“Nós temos direito de usufruir dessas vantagens do Estado de Alagoas, mas, infelizmente, isso não está acontecendo. Por mais que tenhamos a energia renovável, não conseguimos usufruir dos benefícios dela em sua totalidade”, pontuou Tonholo, destacando que o mundo ainda depende de 80% do uso de energia fóssil, ou seja, proveniente de fontes não renováveis.
Ele também citou a energia como um insumo básico em qualquer processo de transformação e, por isso, com potencial para atrair inúmeros grandes negócios.
“Estamos mandando embora a energia sem nos apropriar dela. Hoje, quase a totalidade do que exportamos é energia limpa. Somos superavitários em biomassa e em hidroeletricidade. Para se ter uma ideia, entre setembro e março, as usinas geram um excedente de biomassa que coincide com períodos em que outras regiões podem enfrentar secas, tornando o nosso Estado um ‘pulmão energético’ estratégico para o Nordeste”, concluiu.