
A vitória do ASA no clássico expôs muito mais do que o placar de 2 a 0. Escancarou o momento de um CRB que parece jogar no limite físico, técnico e mental.
Muito longe daquele time que tenta ter paciência na construção, circular a bola e amadurecer a jogada até finalizar, o CRB de ontem foi montado por Barroca para um jogo de duelos, transições, bola parada e uso do lateral ofensivo. A ideia era clara, competir mais no impacto, atacar espaços e buscar caminhos mais diretos. O problema é que, quando o time sai da sua característica mais associativa, passa a depender ainda mais de concentração, agressividade e erro zero. E isso não aconteceu.
Mesmo com uma proposta diferente, o CRB criou, principalmente em faltas laterais e escanteios. Foi por ali que construiu suas melhores oportunidades. Só que voltou a padecer de um problema que já virou marca negativa da equipe, a incapacidade de transformar chance em gol. João Neto, Estrella, Dadá, Henri e Luizão desperdiçaram. Em clássico, desperdício cobra.

No primeiro gol, não foi só um erro isolado. Arthuzinho teve liberdade para colocar uma assistência perfeita na área. Kevin não conseguiu bloquear a ação por fora, Luizão não fechou o canal que liga a bola à zona mais crítica de finalização, e Henri, em mais um lance de sono defensivo, perdeu o tempo da jogada. Alex Bruno apareceu livre demais para um centroavante dentro da área. No segundo, Maycon erra na tomada de decisão e entrega a jogada para Wandson ampliar. Em clássico, erro assim cobra caro.

O ASA fez o que um time maduro precisa fazer, aproveitou os erros do rival, foi objetivo e entendeu o tamanho do jogo. Já o CRB vai se despedindo da Copa do Nordeste com uma atuação que aumenta a pressão e deixa o ambiente em ponto de ebulição.