Crueldade no litoral de AL: Biota denuncia abate e mutilação de 'Leôncio' a órgãos federais
Necrópsia revela que elefante-marinho foi morto com golpes de objeto cortante enquanto ainda estava vivo; denúncia foi protocolada no MPF e Ibama

A morte brutal do elefante-marinho carinhosamente apelidado de Leôncio tomou contornos criminais na madrugada deste sábado (4). O Instituto Biota de Conservação protocolou uma denúncia formal junto ao Ministério Público Federal (MPF), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e Instituto do Meio Ambiente (IMA), apresentando o laudo da necrópsia que confirma que o animal não morreu por causas naturais, mas sim, vítima de um abate violento.
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O documento também foi enviado via e-mail para o Batalhão de Polícia Ambiental (BPA) e para diversas unidades do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), incluindo o Centro de Mamíferos Aquáticos e as gerências das Áreas de Proteção Ambiental (APAs) Costa dos Corais e Piaçabuçu.
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"Acabo de protocolar denúncia com o laudo de necropsia do Leôncio nos sistemas do MPF, IBAMA e IMA. Todo esse processo estava consumindo demais a equipe e precisávamos concluir para que os responsáveis por esse ato cruel e desumano sejam devidamente punidos na forma da lei", disse Bruno Stefanis, biólogo e diretor-executivo do Biota.
O animal, que se tornou uma figura querida no litoral alagoano, nas últimas semanas, foi encontrado morto na última quarta-feira (1º), no Povoado de Lagoa Azeda, em Jequiá da Praia. O cenário encontrado pelas equipes de resgate foi estarrecedor: o corpo do mamífero estava partido ao meio e apresentava mutilações severas.


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Segundo Stefanis, os exames técnicos não deixam dúvidas sobre a crueldade do ato. O laudo aponta que Leôncio sofreu múltiplas agressões com um objeto cortante, tão violentas que chegaram a cortar e mutilar vários ossos. O ponto mais crítico da investigação revela que o ataque ocorreu enquanto o animal ainda estava com vida.
Leôncio se encontrava em processo natural de troca de pelagem, o que o obrigava a permanecer longos períodos em repouso fora da água, tornando-o vulnerável. O monitoramento diário realizado pelo Biota indicava que o elefante-marinho apresentava um comportamento saudável e esperado para a espécie, tendo sido visto vivo pela última vez na tarde da sexta-feira (27), justamente na mesma praia onde seu corpo foi localizado dias depois.
Agora, com a formalização da denúncia, as autoridades devem investigar a autoria do crime ambiental.
