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Operação investiga suposto esquema milionário em cirurgias ortopédicas em Alagoas

GAECO apura indícios de superfaturamento de cerca de R$ 10 milhões em procedimentos custeados por decisões judiciais


				Operação investiga suposto esquema milionário em cirurgias ortopédicas em Alagoas
Operação investiga suposto esquema milionário em cirurgias ortopédicas em Alagoas. Assessoria MPAL

O Ministério Público do Estado de Alagoas (MPAL) deflagrou, nesta sexta-feira (27), a Operação Leito de Procusto com o objetivo de investigar um suposto esquema criminoso envolvendo cirurgias ortopédicas custeadas pelo poder público por meio de decisões judiciais. A ação é conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado e aponta indícios de superfaturamento que podem chegar a R$ 10 milhões.

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Nesta primeira fase, estão sendo cumpridos três mandados de busca e apreensão em unidades hospitalares localizadas nas partes alta e baixa de Maceió. As diligências têm como objetivo recolher documentos, prontuários médicos e registros administrativos relacionados a procedimentos realizados entre 2023 e este ano, com recursos públicos.

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As investigações começaram há cerca de um ano, após provocação da Procuradoria-Geral do Estado de Alagoas (PGEAL), que identificou um aumento considerado atípico nos custos de cirurgias ortopédicas viabilizadas judicialmente. A partir disso, o Ministério Público passou a apurar a regularidade dos procedimentos, os valores cobrados e os materiais utilizados.

Até o momento, cerca de 50 prontuários médicos estão sob análise. Os casos envolvem principalmente cirurgias de tornozelo, joelho e coluna, com uso de órteses, próteses e outros materiais adquiridos por determinação judicial.

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Operação investiga suposto esquema milionário em cirurgias ortopédicas em Alagoas. Assessoria MPAL

De acordo com as apurações iniciais, os núcleos investigados seriam formados por advogados, médicos cirurgiões ortopédicos e anestesistas. A suspeita é de que esses grupos atuassem de forma articulada: advogados identificariam pacientes com necessidade de cirurgia e ingressariam com ações judiciais para garantir o custeio pelo Estado. Após decisões favoráveis, os procedimentos seriam realizados com valores supostamente acima dos praticados no mercado, especialmente no que se refere a órteses e próteses, gerando cobranças infladas.

Durante a investigação, pacientes também foram ouvidos. Alguns confirmaram a realização das cirurgias, enquanto outros relataram resultados insatisfatórios, incluindo casos em que os procedimentos não tiveram êxito ou sequer foram refeitos. Há ainda relatos de sequelas, o que amplia a gravidade dos fatos, por envolver não apenas possível prejuízo aos cofres públicos, mas também impactos diretos na saúde dos pacientes.


				Operação investiga suposto esquema milionário em cirurgias ortopédicas em Alagoas
Operação investiga suposto esquema milionário em cirurgias ortopédicas em Alagoas. Assessoria MPAL

As autoridades apontam que o esquema pode estar em funcionamento há pelo menos três anos, indicando uma possível estrutura organizada envolvendo profissionais da saúde, unidades hospitalares e empresas fornecedoras.

O nome da operação faz referência à mitologia grega. Assim como Procusto forçava suas vítimas a se ajustarem a um leito padronizado, a investigação sugere que pacientes teriam sido inseridos em um modelo distorcido de atendimento, moldado por interesses econômicos, e não pelas reais necessidades clínicas.

Segundo o coordenador do GAECO, Napoleão Amaral, esta fase tem caráter investigativo e busca reunir provas para identificar todos os envolvidos e delimitar responsabilidades. O promotor Jorge Bezerra também destacou que outras frentes de apuração seguem em andamento, diante da possibilidade de novos núcleos no esquema.

*Com assessoria

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