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PM morta alegava traição de marido; veja mensagens

Soldado Gisele Alves Santana alegava possíveis traições e boatos sobre o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, que negava os fatos


				PM morta alegava traição de marido; veja mensagens

A soldado da Polícia Militar Gisele Alves Santana, morta em fevereiro deste ano com um tiro na cabeça, vinha pedindo frequentemente a separação do marido, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, preso preventivamente sob suspeita de feminicídio. Segundo relatos, Gisele mencionava possíveis traições e boatos envolvendo o oficial.

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				PM morta alegava traição de marido; veja mensagens

De acordo com a investigação policial, a qual a CNN Brasil teve acesso, a policial não conseguia superar uma suposta traição cometida pelo marido. "E por mais que você diga para mim, nada justifica uma traição. Você não sabe como é viver com isso; não tem um dia que eu não lembre dessa história", escreveu à Neto.

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Gisele complementa ainda que "por mais que o tempo passe, talvez eu realmente não 'desencane' dessa história e tenha que me separar de você por não confiar mais".

Em resposta às alegações da esposa, o tenente-coronel afirmou que sua consciência estava tranquila e que não a traiu, se tratando apenas de "fofocas sem fundamento". Gisele rebate, dizendo que conhece o comportamento "galanteador" de Neto e que isso estava fazendo-a muito mal.

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Uma outra discussão protagonizada pelo casal mostra que Gisele insistia na separação pela falta de confiança entre os dois.

Boatos de traições

Segundo o depoimento de uma das testemunhas, também policial militar, Geraldo havia tido um relacionamento extraconjugal com uma policial e o assunto era comentado em toda a instituição. O boato chegou aos ouvidos de Gisele em meados de dezembro do ano passado.

Por outro lado, o oficial sempre negou a traição e reforçava que os boatos eram uma invenção para prejudicá-lo, uma vez que era rígido e cobrava a equipe.

A testemunha ainda relata que Gisele dizia acreditar na traição, mas que não tinha a confirmação. Além disso, o depoimento conta que o relacionamento entre o casal "ficou bem mais difícil" após os rumores.

Uma outra depoente, a qual trabalhou com a vítima na corporação, declarou que Gisele havia comentado que, se descobrisse a traição, retornaria à casa dos pais. "Desde setembro de 2025, Gisele começou a falar em divórcio após ser informada do possível relacionamento extraconjugal do marido", afirmou.

Relacionamento conturbado e discussões

Gisele e Geraldo, segundo familiares e testemunhas, viviam um relacionamento conturbado e marcado por inúmeras situações de ciúmes, possessividade e discussões, especialmente da parte do tenente-coronel.

Em depoimento, a mãe da vítima declarou que Gisele sofria certas proibições impostas pelo oficial. Para autoridades, o tenente-coronel foi descrito como alguém que a proibia de usar batom, salto alto e perfume, além de exercer controle sobre suas redes sociais e exigir o cumprimento rigoroso de tarefas domésticas.

De acordo com o relatório policial, Neto tinha controle sobre as redes sociais da esposa e frequentemente aparecia no local de trabalho dela para "vigiar". Depoimentos de testemunhas indicam que o tenente-coronel jogava seu perfume na farda que Gisele usava e controlava quem a seguia e deixava de seguir.

Relatos do irmão da vítima também mencionam um episódio anterior em que o marido teria enviado um vídeo com uma arma apontada para a própria cabeça, ameaçando tirar a vida caso a soldado concretizasse a intenção de se separar.

Gisele afirmava que estava cansada e que queria se separar.

O que diz a defesa do tenente-coronel

"O escritório de advocacia MALAVASI SOCIEDADE DE ADVOGADOS, contratado para assistir o tenente-coronel GERALDO LEITE ROSA NETO no acompanhamento das investigações relativas ao suicídio de sua esposa, vem a público prestar esclarecimentos.

Ante o recente decreto dúplice de prisão do tenente-coronel pelos mesmos fatos tanto perante a Justiça Militar quanto pela Justiça Comum, a defesa encontra-se estarrecida pela manutenção da competência de ambas as jurisdições.

Informa que, sabedor dos pedidos de prisão em seu desfavor desde a data do dia 17/3 não só não se ocultou, como forneceu espontaneamente comprovante de endereço perante a Justiça, local onde foi cumprido o mandado de prisão, ato ao qual, embora manifestamente ilegal, pois proferido por autoridade incompetente, não se opôs, tendo mantido a postura adotada desde o início das apurações de colaboração com as autoridades competentes.

Informa, por fim, que já ajuizou reclamação perante o STJ contra o decreto oriundo da Justiça castrense e que estuda o manejo de habeas corpus quanto à decisão da 5ª Vara do Júri da Capital.

Reitera que seguem sendo divulgadas informações e interpretações que alcançam aspectos de sua vida privada, muitas vezes por meio de conteúdos descontextualizados, ocasionando exposição indevida e repercussões que atingem sua honra e dignidade.

A intimidade, a vida privada, a honra e a imagem constituem direitos fundamentais assegurados pela Constituição Federal (art. 5º, X), razão pela qual a divulgação de elementos pertencentes a essas esferas encontra limites nas garantias constitucionais, sendo certo que, no momento oportuno, sua equipe jurídica irá reprochar toda e qualquer divulgação ou interpretação que venha vilipendiar tais direitos em relação ao Tenente-Coronel.

Por fim, o escritório reafirma sua confiança na atuação das autoridades responsáveis pela condução das investigações e reitera que o Tenente-Coronel aguarda a completa elucidação dos fatos."

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