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'Não houve discussão, ele já atirou', relata vítima de agente de trânsito em júri

Natan Ivo Tomás da Silva responde por tentativa de homicídio após disparo contra morador


				'Não houve discussão, ele já atirou', relata vítima de agente de trânsito em júri
“Não houve discussão, ele já atirou”, relata vítima em júri de agente de trânsito. — Foto: MP/AL

Durante o julgamento do agente de trânsito Natan Ivo Tomás da Silva, acusado de tentativa de homicídio, a vítima Rommel Gomes Soares relatou que não houve discussão entre eles e que o réu simplesmente atirou. O julgamento ocorre nesta quinta-feira (19), na 7ª Vara Criminal da Capital.

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O caso aconteceu no dia 10 de novembro de 2022, no bairro Tabuleiro do Martins, em Maceió. Segundo a vítima, ele foi até o local após ser informado pela esposa sobre a falta de energia na rua onde mora. Ao perceber que equipes da Equatorial deixavam a área sem resolver o problema, decidiu questionar um dos agentes da SMTT (hoje, DMTT) que acompanhavam o serviço. Rommel afirmou que não houve discussão antes da agressão.

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“Eu me aproximei da viatura, me abaixei na altura da janela e fiz a pergunta. Ele disse: ‘o que você quer?’ e já me deu um tapa no rosto. Como qualquer ser humano, eu revidei. E ele pegou a arma e já atirou em mim, depois fugiu do local”, relatou Rommel durante o júri.

A vítima foi atingida na região do tórax, com saída do projétil pelo braço, próximo à axila. “Na hora, não percebi onde tinha entrado, só via o sangue no braço. Até hoje tenho a camisa em casa. O local onde a bala entrou ficou queimado”, disse.

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Rommel foi socorrido por uma tia que mora em frente ao local e levado inicialmente para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Tabuleiro, sendo transferido em seguida para o Hospital Geral do Estado (HGE).

Após o disparo, segundo a vítima, o agente fugiu do local em uma viatura oficial da SMTT, acompanhado de outro servidor que dava apoio à operação.

De acordo com as investigações, o réu teria deixado o veículo na sede do órgão e, em seguida, ido para casa.

A vítima também relatou as consequências após o crime. Motorista por aplicativo, ele ficou cerca de três meses sem conseguir trabalhar. “Eu até tentei voltar, mas quando colocava o cinto de segurança, machucava exatamente no local onde a bala entrou”, afirmou.

O réu Natan Ivo Tomás da Silva responde por tentativa de homicídio, e o júri é presidido pelo juiz Yulli Roter Maia.

SEGUNDO AGENTE

O segundo agente da SMTT que estava na ocorrência, responsável por isolar a área, também prestou depoimento durante o júri e descreveu o que presenciou após o disparo.

Ele relatou que estava de costas no momento do tiro e só percebeu a gravidade da situação instantes depois.

“Eu estava de costas, ouvi o estampido e já vi a viatura se aproximando em velocidade. Ele dizia ‘vamos, vamos, vamos’. Perguntei o que tinha acontecido, não sabia sobre o disparo, não sabia se tinha sido em direção à nossa viatura. Só depois ele foi contando o que aconteceu. Praticamente fui entender melhor quando já estávamos perto da sede do órgão. Fiquei muito nervoso, nunca tinha passado por isso”, relatou.

O agente afirmou que, ao chegar à sede da SMTT, percebeu a movimentação e tentou entender o ocorrido.

“Fiquei conversando com o supervisor, entrei e quando olhei já vi o carro dele saindo. Relatei tudo o que eu tinha sabido até aquele momento. Nesse intervalo, aconteceu uma ligação. Até então eu não sabia que tinha uma vítima, mas começaram a procurar por ele dizendo que ele tinha ferido uma pessoa e que essa pessoa estava na UPA do Tabuleiro”, disse.

O agente também relatou que, segundo o próprio acusado, a vítima teria se aproximado para questionar a atuação da equipe da Equatorial.

“Ele disse que o homem foi perguntar pela equipe da Equatorial, por que tinham deixado o local sem resolver o problema”, afirmou.

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