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Imagem ilustrativa da imagem Allan enfrenta atraso de 11 anos que pode travar futuro de Maceió

BLOG DO
Edivaldo Júnior

Allan enfrenta atraso de 11 anos que pode travar futuro de Maceió


				Allan enfrenta atraso de 11 anos que pode travar futuro de Maceió
Allan Pierre discursa na Câmara de Vereadores de Maceió. Assessoria

Maceió espera há mais de uma década pela atualização do seu principal instrumento de planejamento urbano. O Plano Diretor, aprovado em 2005 e cuja revisão deveria ter ocorrido em 2015, acumula agora 11 anos de atraso sem sequer ter chegado à Câmara de Vereadores para análise e votação.

O atraso atravessou duas gestões completas e quatro mandatos municipais. Nem o ex-prefeito Rui Palmeira (2013–2020), nem o atual prefeito João Henrique Caldas, o JHC (desde 2021), enviaram o novo plano ao Legislativo. Nesse intervalo, a cidade cresceu, se verticalizou, expandiu sua fronteira imobiliária e viu se multiplicarem os desafios de mobilidade, infraestrutura e ocupação urbana — sem atualizar as regras que deveriam orientar esse processo.

Agora, a revisão pode finalmente avançar. E isso ocorre, em grande parte, por iniciativa do vereador Allan Pierre (MDB).

O parlamentar passou a pressionar formalmente o Executivo e o próprio Legislativo para colocar o tema em pauta. Ele defende prioridade absoluta na tramitação assim que o texto for encaminhado à Câmara, o que, segundo informações oficiais, deve ocorrer até o fim deste mês.

“O Plano Diretor deveria ter sido revisado há mais de dez anos. Esse atraso gera insegurança jurídica, afeta investimentos e impede que a cidade tenha um crescimento organizado”, afirmou Allan Pierre.

Obrigatório

O Plano Diretor é uma exigência do Estatuto da Cidade e funciona como uma espécie de Constituição urbana. Ele define onde se pode construir, em que altura, com que densidade, quais áreas devem ser preservadas e como deve ocorrer a expansão da cidade.

Define o futuro. Ou deveria definir.

Em Maceió, o plano em vigor foi aprovado há 21 anos, por meio da Lei Municipal nº 5.486, de 2005. A revisão começou oficialmente em 2015, ainda na gestão Rui Palmeira, com diagnóstico técnico e participação popular. Desde então, o processo avançou em etapas técnicas e audiências públicas. Mas parou antes da fase decisiva - o envio à Câmara.

Na página oficial do Plano Diretor, mantida pela Prefeitura, consta que praticamente todas as fases foram concluídas até fevereiro de 2025 (veja aqui). Restam a agora só consolidação da minuta final e o encaminhamento ao Legislativo. Ou seja, o processo técnico avançou. O político, não.

Onze anos depois, o plano ainda não chegou aos vereadores. Nesse intervalo, Maceió mudou. Mudou muito.

Expansão sem novas regras.

O exemplo mais visível está no litoral norte. A região entre a Lagoa da Anta e Ipioca vive um ciclo acelerado de verticalização, com empreendimentos de grande porte, forte valorização imobiliária e aumento da densidade populacional. Mas sem um Plano Diretor atualizado, isso preocupa.

Por isso, Allan Pierre protocolou requerimento solicitando ao Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Maceió (Iplan) cópias de todos os licenciamentos ambientais e urbanísticos concedidos nos últimos cinco anos nessa faixa da cidade. O objetivo é verificar a regularidade das autorizações e avaliar se a infraestrutura existente comporta o crescimento em curso.

“O litoral norte não pode passar despercebido. Precisamos discutir esse crescimento com responsabilidade e transparência, ouvindo todos os setores e garantindo equilíbrio entre desenvolvimento e qualidade de vida”, afirmou o vereador.

Ele também propôs a realização de audiência pública para debater o ordenamento urbano da região.

Mobilidade, adensamento e futuro.

O Plano Diretor não trata apenas de construções. Ele define políticas de mobilidade, habitação, meio ambiente, uso do solo, expansão urbana e desenvolvimento econômico. Estabelece diretrizes para enfrentar desigualdades territoriais e organizar o crescimento da cidade.

Sem revisão, as regras ficam desatualizadas. E o risco aumenta.

O atraso cria insegurança jurídica para investidores e insegurança urbana para a população. Empreendimentos avançam com base em parâmetros antigos. A infraestrutura nem sempre acompanha o crescimento. O resultado aparece no cotidiano: congestionamentos maiores, pressão sobre serviços públicos e ocupação urbana desigual.

O próprio site oficial do plano reconhece a necessidade de atualização diante de novas realidades, como mudanças climáticas, expansão urbana acelerada e os impactos estruturais provocados pelo afundamento do solo em áreas afetadas pela mineração.

A cidade de hoje não é a mesma de 2005. Nem de 2015.

Persistência política.

Nesse contexto, a atuação de Allan Pierre ganha peso. O vereador puxou o debate em torno do plano no ano passado. Agora, sua iniciativa pode destravar um processo que atravessou duas gestões e permaneceu paralisado por mais de uma década.

Ele pode conseguir o que Rui Palmeira e JHC não conseguiram até agora. Tirar o Plano Diretor da gaveta, levá-lo ao plenário e iniciar, enfim, o debate público e legislativo sobre o futuro urbano de Maceió.

A aprovação do novo plano não resolverá todos os problemas da cidade. Mas sua ausência certamente contribuiu para agravá-los. Depois de 11 anos de atraso, a revisão deixou de ser apenas uma exigência legal.

Virou uma necessidade urgente.