
O ASA ganhou do CRB como se ganha clássico grande, com plano, com coragem, e com uma frieza que raramente aparece nesse campeonato. Deu 3 a 0 no Rei Pelé, quebrou a invencibilidade regatiana e assumiu a liderança. Alex Bruno fez dois no primeiro tempo e colocou o jogo no bolso. Wandson fechou a conta no segundo, quando o CRB já estava mais tentando se reencontrar do que, de fato, atacar.
O CRB entrou com a defesa mexida, improviso, rodagem, base, tudo dentro do planejamento, isso não assusta ninguém. O que assusta é outra coisa: depois de uma semana cheia de trabalho, era para o time aparecer mais pronto, mais ajustado, mais seguro. Não apareceu. E clássico não espera evolução para semana que vem.

Luizão, pelo que custa ao clube e pelo que representa em campo, entregou pouco, de zagueiro foi muito abaixo. Darlisson, um dos mais rodados dos meninos, sentiu o jogo, inseguro, atrasado nas disputas, talvez a pior atuação com a camisa do CRB. Maycon tinha uma oportunidade de ouro, o lado direito do ASA oferecia espaço no início, só que ele sentiu o peso, não ultrapassava, errava passe simples, ficava preso. Enquanto isso, Paulinho mandou no corredor direito, fez o trabalho de dois e matou o lado do CRB, Dadá e Maycon ficaram encaixotados.

A diferença do jogo foi muito objetiva: o ASA marcou com fome e o CRB deixou o ASA jogar o que ele mais gosta.
Com 15 minutos de bola rolando, já tinha sido dito na transmissão, o ASA era melhor porque fazia o básico bem feito, pé na bola o tempo todo, encurta, chega junto, não deixa o portador respirar, provoca o erro. Soma isso ao cenário que o CRB permitiu, transição e ataque direto, aí vira combustível para um centroavante inspirado.

O primeiro gol saiu onde clássico geralmente nasce, bola parada, escanteio, Hereda falha feio, Alex sobe soberano e marca. O segundo foi gol de manual do ataque direto, o goleiro Cris lança, Alex ganha de Darlisson, ataca o espaço nas costas da última linha e faz 2 a 0. Dico Woolley estudou o CRB no jogo anterior, enxergou a fragilidade do bloco alto, quando a bola longa encaixa, a linha descompacta, o zagueiro corre de costas, e Alex ganhou praticamente tudo. Se não fosse Matheus Albino, o placar teria sido maior.
No segundo tempo, Barroca mexeu, tentou mexer no desenho, só que o jogo já tinha dono. O ASA manteve o controle emocional, não se afobou, escolheu o momento de matar. Jaílson passa por dois, a sobra cai para Wandson, 3 a 0, e o clássico termina com cara de aula prática.
O planejamento assumiu o risco, ok. Só que o risco tem que virar aprendizado rápido. A leitura que fica é direta: o jogo coletivo do CRB estacionou, e os diferentes não chegaram na janela. Para buscar penta inédito, vai ter de contratar, simples assim. Não é sobre desespero, é sobre diagnóstico. Quem quer título não trata alerta como detalhe.

Arbitragem, ponto positivo, Denis Ribeiro Serafim e os auxiliares foram muito firmes, trio experiente para clássico quente, condução segura, sem protagonismo, do jeito que tem que ser.