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Imagem ilustrativa da imagem Chapa federal do PSD pode virar pesadelo para prefeito de Arapiraca

BLOG DO
Edivaldo Júnior

Chapa federal do PSD pode virar pesadelo para prefeito de Arapiraca


				Chapa federal do PSD pode virar pesadelo para prefeito de Arapiraca
Luciano Barbosa e Rute Nezinho, unidos na convenção do MDB em 2024 e rompidos politicamente depois da eleição. Reprodução

Nome a nome, região por região, o PSD começa a dar forma a uma chapa federal com lógica clara e potencial competitivo em 2026. Em encontro realizado no começo desta semana entre o governador Paulo Dantas e os principais quadros da legenda foi definido um desenho territorial que pode impactar o equilíbrio de forças em várias regiões do estado — especialmente no Agreste.

A chapa em montagem tem um traço comum: cada nome carrega peso político bem definido no seu território. Luciano Amaral, atual deputado federal e presidente estadual do partido, segue como principal puxador de votos. Ele conta hoje com o apoio direto de pelo menos 18 prefeitos, o que lhe garante capilaridade estadual, com predominância no Sertão.

Ao lado dele, o PSD reúne Júlio Cezar, ex-prefeito de Palmeira dos Índios, liderança consolidada no eixo Sertão/Agreste; Marcos Madeira, ex-prefeito de Maragogi, com influência no Litoral Norte; Thaís Canuto, ex-vereadora e candidata a prefeita de Pilar, com inserção na Região Metropolitana de Maceió; Rui Palmeira, ex-prefeito e vereador da capital; e Rute Nezinho, vice-prefeita de Arapiraca, segunda maior cidade de Alagoas.

A grupo também terá outros nomes de Maceió, de atuação no meio empresarial e de evangélicos. O resultado é uma chapa com ocupação territorial equilibrada. É esse desenho que faz o PSD trabalhar com a meta de eleger um deputado federal e brigar, com consistência, pela segunda vaga.

Mas há um detalhe que chama atenção nos bastidores — e que vai além da conta interna do partido.

A entrada de Rute Nezinho na disputa federal pode transformar a chapa do PSD em um problema direto para o prefeito de Arapiraca, Luciano Barbosa.

Rute está rompida politicamente com o prefeito e é irmã do deputado estadual Ricardo Nezinho, provável candidato à sucessão municipal e hoje adversário declarado do grupo que governa a cidade.

Se Rute conseguir boa votação em Arapiraca, o impacto não vai se restringir à chapa do PSD. Ela tende a disputar votos no mesmo campo eleitoral do deputado federal Daniel Barbosa (PP), filho do prefeito, cuja reeleição é uma das prioridades absolutas de Luciano Barbosa em 2026. Nas eleições de 2022, Daniel teve 63 mil votos, destes 33 mil em Arapiraca. Se perder parte do eleitorado para a vice-prefeita sua reeleição pode se complicar.

Pior para o grupo de Luciano é que a montagem de chapa do PSD pode eleger o segundo deputado com uma votação em torno de 40 mil votos, um patamar que está ao alcance da influente família Nezinho. Uma eventual vitória de Rute e derrota dde Daniel seria um verdadeiro pesadelo (político) para o atual prefeito.

Em outras palavras: a chapa do PSD, montada para ter capilaridade em todo o Estado pode virar efeito colateral no Agreste. Uma vice-prefeita bem votada, rompida com o prefeito e com base própria na cidade, tem potencial para reduzir dificultar o projeto familiar do atual gestor de Arapiraca.

O governador Paulo Dantas, que assumiu a articulação do PSD após as eleições municipais de 2024, parece confortável com esse desenho. Ao coordenar a montagem da chapa, ele amplia o espaço do partido e, ao mesmo tempo, reposiciona o PSD como na disputa proporcional.