
Cinco rodadas já dão um retrato. O clássico então, é régua. Ali o time é mais exigido, o jogo encurta, a decisão pesa, e o elenco aparece por inteiro, os que sustentam e os que ficam devendo.
O CRB teve um mérito claro nesse início: quase todo mundo teve oportunidade. Barroca distribuiu minutos, testou peças, mediu comportamento em jogo grande. Isso é parte do processo. Só que a temporada não vai esperar o encaixe aparecer sozinho. Semifinais chegando, Copa do Nordeste, Copa do Brasil e Série B batendo na porta. Quem quer entrar forte em tudo, ajusta agora.
O feedback é objetivo:
Zagueiro: falta um terceiro pronto, no nível de Alemão e Henri. Os meninos da base podem ser 4 e 5, ótimo, só que mata mata pede alguém com casca para entrar e manter o padrão.
Lateral esquerdo: precisa de um nome com potencial real de titularidade. Disputa de posição eleva o time. Peça só para compor ocupa espaço e não muda o nível.
Primeiro volante: falta imposição física, o cara de sustentação e bola aérea . Kallyell não dá esse lastro. Luizão precisa de concorrência nesse perfil, alguém que imponha presença, ganhe segunda bola, proteja a frente da área e permita o time jogar mais alto sem ficar exposto.
Meia: reserva do Daniel tem que ser solução imediata. Braw, hoje, entrega pouco para o peso do calendário.

Centroavante: aqui é bater a real. Mikael tem 3 gols e hoje é titular, só que não é porque está sobrando de performance, é porque os outros estão piores. Ele virou o 9 da vez muito mais por ausência de concorrência do que por dominância. E isso é perigoso, porque o CRB fica refém de um cenário onde a posição não tem disputa de alto nível. Pottker tenta, trabalha, mas parece que aqui não deu liga com o ambiente e com a ideia de jogo. Insistir tende a piorar para os dois lados. Para o CRB, porque precisa de um 9 de representatividade, que chegue para disputar de verdade e elevar o nível. Para ele, porque a tendência, pelo que vem demonstrando, é virar opção cada vez mais distante até de relação, e isso pega na carreira. O caminho mais inteligente é encerrar o ciclo com respeito, liberar folha e buscar no mercado alguém pronto para mudar a rotação do ataque.

Thiaguinho também entra nesse pacote de atenção. Ainda não entregou nem perto do que terminou a temporada passada. Extremo no CRB precisa ser ameaça, precisa incomodar, precisa decidir, não dá para viver de lampejo.
No ajuste do elenco, com os garotos o caminho é outro: empréstimo bem escolhido é proteção de patrimônio. Pureza, Rodriguinho, Kallyell e Braw precisam de sequência, minuto, responsabilidade. Entrar picado não desenvolve e ainda desvaloriza. Rodagem faz bem para eles e faz bem para o CRB, que volta a ter ativos mais prontos e um grupo mais homogêneo.
A boa notícia é que vem aí o cenário perfeito para virar a chave: semana cheia de trabalho, e Barroca já falou em recuperar e elevar performance do time. Nada melhor do que ter pela frente um confronto com o adversário que vem duelando com o CRB nos últimos quatro campeonatos. Esse tipo de jogo não aceita conversa fiada. Aceita resposta.