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Imagem ilustrativa da imagem O valor invisível do futebol

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Blog do Marlon

O valor invisível do futebol


				O valor invisível do futebol
Casal de idosos, sentados lado a lado, vestindo a camisa do ASA, no Coaracy da Mata Fonseca. — Foto: Lucas Auditore

No Estádio Coaracy da Mata Fonseca, em Arapiraca, durante a última rodada do Campeonato Alagoano, vi uma cena que para mim valeu mais do que qualquer scout do jogo. Não foi um gol improvável, nem uma defesa espetacular. Foi um cena cotidiana, um casal de idosos, sentados lado a lado, de mãos dadas, vestindo a camisa do ASA com um nítido sentimento de pertencimento. Assistiam à partida em silêncio, atentos, unidos, compartilhando o tempo com a naturalidade de quem já atravessou muitas temporadas.

O futebol costuma ser descrito como paixão explosiva, disputa, rivalidade, grito. Mas ali ele era outra coisa: constância, permanência. Aquele casal não chamava atenção por gestos efusivos ou entusiasmo exacerbado, mas pela evidência de que o amor pelo futebol pode se manter pela vida e, para além de ser espetáculo, passa a ser companhia.


				O valor invisível do futebol
— Foto: Lucas Auditore

Torcer é um exercício raro de continuidade. Exige paciência, atravessa derrotas, convive com frustrações e, ainda assim, insiste. Poucas experiências coletivas ensinam tanto sobre permanecer quanto o futebol. Voltar ao estádio, mesmo quando o time falha. Vestir a camisa, mesmo quando ela não está dando tanto orgulho. Estar ali, jogo após jogo, porque aquilo faz parte de quem se é.

Talvez aquele casal tenha organizado os domingos em torno do calendário do campeonato. Talvez o futebol tenha sido pano de fundo para conversas, silêncios e acordos cotidianos. Ou talvez seja apenas um hábito antigo, incorporado à vida como tantas outras rotinas que resistem ao tempo. Em qualquer hipótese, o que se via era o efeito do futebol quando ele cria vínculos.


				O valor invisível do futebol
— Foto: Lucas Auditore

Na arquibancada simples de Arapiraca, o futebol cumpria uma de suas funções mais nobres: unir. Não pela vitória, mas pelo pertencimento. Pelo estar junto até o apito final.

Em tempos de consumo rápido e paixões descartáveis, aquela imagem lembrava, com sobriedade, que o futebol também é construção. E que alguns amores, quando verdadeiros, não fazem barulho. Simplesmente permanecem.