Conheça a história de um clube do livro em Maceió que mostra que leitura é partilha e escuta
Leitura de livros impressos subiu para o quinto lugar no ranking de consumo cultural

Você se considera um leitor? Bom, se a resposta for não porque lê pouco, talvez deva saber que uma pesquisa desenvolvida pelo Instituto Pró-Livro considera “leitor” aquele que leu pelo menos um livro nos últimos três meses, seja ele inteiro ou em partes. Há dez anos, o brasileiro lê, em média, 2,43 livros por ano.
Tudo em um só lugar.
Receba notícias da GazetaWeb no seu WhatsApp e fique por dentro de tudo!

A sexta edição da Pesquisa Hábitos Culturais 2025, do Observatório Fundação Itaú e Datafolha, apontou que, no ano passado, a leitura de livros impressos subiu para o quinto lugar no ranking de consumo cultural, com 53% de adesão, duas posições acima de 2024.
Leia também
No clima de comemoração pelo aumento da leitura, o Brasil celebra o Dia Nacional do Leitor nesta quarta-feira (7), em homenagem a quem faz isso acontecer. A data remonta a uma homenagem ao jornal cearense O Povo, fundado em 1928 pelo jornalista brasileiro Demócrito Rocha. O Maracajá, suplemento periódico do jornal, foi considerado o principal fomentador do movimento literário modernista no estado do Ceará, por enaltecer a leitura e divulgar escritores da época.
Em Maceió, o Clube do Livro Pássaro Raro tem funcionado como um espaço de leitura, convivência e afetos: uma roda de cadeiras, livros marcados com postits, cheiro de café e histórias que se cruzam. Fundado há dois anos, o clube realiza encontros mensais em cafeterias da capital alagoana. Pietra Kummer, organizadora do espaço, conta que a ideia surgiu como forma de incentivar a leitura e promover conexões reais, algo que ela considera “cada vez mais necessário em um mundo tão digital”.


CRB se reapresenta e inicia preparação para duelo contra o São Bernardo - 2/6/26

Aproximação existe, mas anúncio de aliança entre JHC e Alfredo Gaspar segue pendente

Carlos critica falta de recai da direita sobre empresa do PCC em Goiás

Operação em SP investiga ONG da produtora do filme sobre Bolsonaro
“Ler, conversar presencialmente, trocar experiências e criar vínculos são gestos de resistência e afeto. O clube se tornou um espaço terapêutico, um momento para desacelerar, refletir, sentir e, principalmente, pertencer”, relata. Embora os encontros presenciais ocorram uma vez por mês, os leitores mais assíduos mantêm contato por meio de grupos nas redes sociais do clube, onde compartilham dicas de livros ou relatam experiências e sentimentos despertados pela leitura da vez. Kummer explica que, no clube, a leitura é apenas o ponto de partida para conversas honestas, trocas e conexões que vão além dos livros. “É um lugar de escuta, de reflexão e de pertencimento, que me lembra da importância de desacelerar, compartilhar experiências e construir vínculos genuínos”, diz.
Para quem ajuda a fazer o clube acontecer, esse sentimento é comum. A estudante de jornalismo Maria Luiza Damásio conta que o amor e o interesse pela leitura surgiram a partir da admiração pelo avô, que adorava ler e a incentivou a entrar nesse universo. “Além de ter sido acostumada, desde nova, a dormir com alguém me contando histórias. A leitura me leva a esse lugar familiar e confortável, mas que ainda me permite aventurar”, compartilha.
Luiza afirma que sempre quis fazer parte de um clube do livro. Para ela, a partilha de conhecimento é essencial. “Essa busca por compreender as obras que lemos, compartilhar perspectivas diversas e discuti-las só tem a acrescentar à experiência de leitura”. Além disso, Pietra destaca que esses encontros têm o poder de estimular o hábito de ler.
“Eles transformam o ato individual da leitura em uma experiência compartilhada, criando compromisso, curiosidade e troca. A conversa amplia o olhar sobre a obra, desperta novas interpretações, motiva a continuidade da leitura e faz com que o livro deixe de ser uma tarefa solitária para se tornar um ponto de encontro, diálogo e interesse real”, afirma.
De acordo com ela, os leitores têm abraçado esses encontros porque buscam experiências que o digital não oferece. “Eles se tornaram espaços de convivência, onde a leitura deixa de ser uma experiência solitária e passa a ser um motivo para estar junto, refletir e dialogar. Percebo ainda que esse hábito pode ser muito mais disseminado em Maceió, especialmente se comparado a cidades como São Paulo, onde morei por um ano e onde iniciativas desse tipo já são mais comuns e integradas à rotina cultural”, conta.
Damásio também compartilha do desejo de fortalecer esse hábito na capital alagoana. Segundo ela, é importante ter com quem conversar quando algo inesperado ou chocante acontece na história. “É como quando assistimos a uma série e procuramos alguém que também tenha visto para conversar, debater ou criar teorias. Adoraria que essa cultura fosse fortalecida no mundo literário também”, completa.
Neste mês, o debate já tem data marcada: será no dia 25 de janeiro, na Kero Mais Gastro Art, às 18h, com discussão sobre o livro O Filho de Mil Homens, de Valter Hugo Mãe. O encontro é aberto e gratuito.
