Animais ameaçados são levados para recintos de aclimatação na Mata Atlântica em Coruripe
Transferência faz parte do programa de refaunação coordenado pelo MPAL e parceiros

GREYCE BERNARDINO*
12/12/2025 às 7:55 • Atualizada em 12/12/2025 às 9:42 - há XX semanas
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Oito papagaios-do-mangue e 95 jabutis foram levados nesta semana para recintos de aclimatação na Reserva da Biosfera da Mata Atlântica, em Coruripe, região Sul de Alagoas. A ação integra o programa de refaunação coordenado pelo Ministério Público do Estado de Alagoas, pelo Projeto Arca e pela Usina Coruripe, com apoio de diversos parceiros públicos e privados. O objetivo é proteger espécies ameaçadas que ainda existem em vida livre e reintroduzir outras que desapareceram do bioma, mas que já foram comuns nas matas alagoanas.
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Os papagaios-do-mangue, que deverão permanecer cerca de quatro meses em um viveiro de aclimatação sob vigilância diária, são oriundos de apreensões feitas em operações de combate ao tráfico de animais e também de devoluções voluntárias em outros estados. Todos passaram por exames comportamentais e laboratoriais para atestar a saúde antes da transferência.
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Segundo Luís Fábio Silveira, professor e pesquisador do Museu de Zoologia da USP, a ação busca reconstruir a população da espécie, considerada extinta na região desde a década de 1980. Ele explicou que novas solturas ainda serão realizadas para fortalecer o grupo e permitir que os animais consigam viver novamente em liberdade. Silveira destacou que papagaios e jabutis desempenham papel fundamental na recuperação da floresta, já que atuam como dispersores de sementes.
O promotor Alberto Fonseca, da 4ª Promotoria de Justiça da Capital e um dos coordenadores do programa pelo MPAL, visitou os recintos nesta quinta-feira e afirmou que os resultados são um avanço importante na conservação da fauna do estado. Ele lembrou que, após a soltura dos papagaios chauás em janeiro, agora é a vez do papagaio-do-mangue e dos jabutis, e que o mutum-de-alagoas deverá ser reintroduzido em breve.


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Também presente, a promotora Lavínia Fragoso ressaltou que o MPAL tem priorizado ações voltadas à preservação da fauna e da flora, destacando o papel do projeto Pró-Reservas, que estimula a criação de unidades de conservação privadas e fortalece a fiscalização e as parcerias ambientais.
O procurador do MPDFT, Roberto Carlos Batista, que integra a Comissão de Meio Ambiente do Conselho Nacional de Procuradores-gerais, acompanhou a visita e afirmou que a experiência de Alagoas deve servir de referência para outros estados. Ele destacou a importância das reservas privadas para reintroduzir animais silvestres e apoiar a recuperação da Mata Atlântica.
O Plano de Ação Estadual do Papagaio-do-mangue conta com a participação de diversas instituições, entre elas a Usina Coruripe, Projeto Arca do CEP, Museu de Zoologia da USP, Universidade de São Carlos, Instituto para Preservação da Mata Atlântica, IMA, Batalhão de Polícia Ambiental, Semarh, Fundação Lymington, IDESE, ICMBio, Ibama, UFAL, IFAL, Usina Sumaúma, Usina Santo Antônio, Usina Utinga, Grupo Carlos Lyra e Grupo Luiz Jatobá.
*Com assessoria