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HOME > blogs > BLOG DO MARLON
Imagem ilustrativa da imagem Racismo no Futebol: o que aparece no noticiário e o que se esconde nas arquibancadas

BLOG DO
Blog do Marlon

Racismo no Futebol: o que aparece no noticiário e o que se esconde nas arquibancadas


				Racismo no Futebol: o que aparece no noticiário e o que se esconde nas arquibancadas
Marlon Araújo

Dia da Consciência Negra não é efeméride para frase pronta, é um lembrete incômodo de que o racismo não tira férias, nem quando a bola rola. O futebol, que gosta de se vender como festa democrática, continua sendo palco de agressão para quem deveria ser protagonista.

A gente lembra dos casos que explodem. Vini Jr. sendo insultado na Europa. Torcidas expulsas de estádios. Comentaristas, dirigentes e atletas dando declarações indignadas em rede nacional.

Esses casos ganham repercussão. E ainda bem.

Mas o problema real mora longe das câmeras. Está nos estádios pequenos, nos campeonatos de base, nas categorias amadoras, e até na beira do campo entre quem nem é famoso o suficiente para gerar indignação coletiva.

Em Alagoas, por exemplo, tivemos o caso do árbitro Alex Lemos da Silva, vítima de injúria racial por parte de um técnico durante um jogo da Série A2 Sub-20. Foi denunciado ao Tribunal, repercutiu localmente, virou pauta. Importante, claro. Só que a maioria das histórias como essa morre no mesmo lugar onde aconteceu: sem registro, sem punição, sem mudança.

O Observatório da Discriminação Racial no Futebol conta mais de 100 casos registrados em 2025. Registrados. Agora pense no que não chega ao boletim, na ofensa dita entre cadeiras vazias, no xingamento abafado pelo som da torcida, no jogador que prefere seguir calado para não perder espaço no elenco, ou para não ser taxado de “problema”.

Esse silêncio é o maior adversário.

O Brasil se orgulha de ter ídolos negros, mas não garante proteção para eles. Quando o craque brilha, vira patrimônio nacional. Quando reage, vira “mimimi”. Quando denuncia, vira pauta política. É amor pela bola e desprezo pelo corpo que a conduz.

Racismo não é opinião do torcedor exaltado, não é “clima quente de jogo”, é crime. E crime que se repete não por falta de leis, mas por falta de coragem institucional para punir quem precisa ser punido. Não basta cartaz na entrada do estádio. Precisa responsabilização, ponto.

Se o futebol reflete a sociedade, então o espelho devolve um país que fala de inclusão, mas naturaliza humilhação. Que celebra o talento preto, mas tenta calar a voz preta. Que aplaude o gol, mas não defende o protagonista.

O desafio é fazer o combate ao racismo deixar de ser performance e virar prática. Da elite à várzea, da Champions ao Sub-20 em Tapera. Porque enquanto o grito de gol continuar convivendo com o grito de ódio, a gente não está jogando o mesmo jogo.

O futebol pode ser campo de disputa ou campo de mudança.

Hoje é dia de escolher qual lado a gente quer jogar.