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HOME > blogs > RAPHA FALCÃO
Imagem ilustrativa da imagem Sem diploma, sem conteúdo? A nova regra da China que pode mudar a internet

BLOG DO
Rapha Falcão

Sem diploma, sem conteúdo? A nova regra da China que pode mudar a internet


				Sem diploma, sem conteúdo? A nova regra da China que pode mudar a internet
Positive asian girl takes selfie on smartphone, shows heart with fingers and makes a photo on street, tourist posing with mobile phone.. Freepik

Nos últimos anos, as redes sociais transformaram qualquer pessoa com um celular em uma potencial fonte de informação. A liberdade de criar virou sinônimo de poder influenciar. Mas até que ponto essa liberdade deve ir, principalmente quando o assunto envolve saúde, dinheiro, direito ou educação?

Na China, essa pergunta ganhou uma resposta prática. Uma nova lei passou a exigir que influenciadores só possam falar sobre determinados temas se comprovarem formação técnica. Se o criador quiser abordar finanças, por exemplo, precisa ter diploma na área. Sem comprovação, o conteúdo não pode ser publicado.

É uma mudança drástica? Sim. Mas é também um sinal claro de que o tempo do achismo disfarçado de autoridade pode estar com os dias contados.

A estética da informação não substitui a base

A internet brasileira ainda vive sob a lógica do “vale tudo”. Por aqui, qualquer um pode ensinar investimentos, indicar suplementos ou opinar sobre decisões jurídicas complexas, mesmo sem ter estudado nada daquilo formalmente.

O que preocupa é que, quanto mais bem produzido o conteúdo, mais ele parece confiável. O público, na maioria das vezes, não tem repertório técnico para avaliar a profundidade do que consome. E isso transforma carisma em credibilidade, mesmo quando falta preparo.

Vivência tem seu valor. Mas em temas sensíveis, ela não substitui formação. Você confiaria seu tratamento médico a quem aprendeu tudo no Google? Ou entregaria suas finanças a quem viu meia dúzia de vídeos no TikTok?

Quando o impacto é alto, o erro custa caro. E responsabilidade passa a ser um critério inegociável.

O papel do influenciador está mudando

A medida chinesa não é apenas uma regra estatal. Ela é um reflexo de uma tensão que existe globalmente: como separar liberdade de expressão de irresponsabilidade digital?

A proposta não é silenciar criadores, mas criar filtros que protejam a audiência de conteúdos potencialmente prejudiciais. E, ao mesmo tempo, devolver valor à autoridade de quem realmente estudou, se preparou e tem condições técnicas de ensinar.

No Brasil, essa discussão ainda engatinha. Mas é inevitável que ela cresça. Porque influência, por mais espontânea que pareça, constrói opinião. E opinião, quando malformada, destrói decisões.

O marketing de autoridade precisa voltar a ter peso

Não basta ter voz. É preciso ter compromisso com o que se fala.

Marketing de autoridade não é sobre estética, nem sobre engajamento. É sobre saber do que se está falando e compreender a responsabilidade de formar a visão de milhares de pessoas.

Quem trabalha com conteúdo, especialmente nas áreas mais delicadas, precisa entender que o jogo está mudando. E que, talvez em breve, o requisito para continuar jogando não será só um bom conteúdo, mas também uma base sólida por trás dele.

Se amanhã o Brasil seguir o mesmo caminho da China, a pergunta será simples: seu conteúdo continua de pé?