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HOME > blogs > EDIVALDO JÚNIOR
Imagem ilustrativa da imagem Fechamento da fábrica da Braskem em Maceió já começou, diz sindicato

BLOG DO
Edivaldo Júnior

Fechamento da fábrica da Braskem em Maceió já começou, diz sindicato


				Fechamento da fábrica da Braskem em Maceió já começou, diz sindicato
Unidade da Braskem em Maceió. Reprodução

Não era especulação. A Braskem, embora ainda não tenha comunicado oficialmente o fechamento da unidade de cloro-soda (UCS) de Maceió, já iniciou o processo de desativação da planta, segundo o Sindicato dos Petroleiros de Alagoas e Sergipe (Sindipetro-AL/SE). A informação, publicada pela entidade, reforça informações antecipadas por fontes do setor e pelo blog do Edivaldo Júnior em agosto deste ano.

De acordo com o Sindipetro, o encerramento das operações já estaria em curso, com redução de equipes, hibernação de equipamentos e realocação de parte dos profissionais para a unidade de PVC em Marechal Deodoro. O movimento confirmaria, na prática, o que se previa desde setembro de 2025, quando a produção foi suspensa por causa do alto custo da importação de sal do Chile, após o fim da extração local de sal-gema.

Em setembro, a Braskem desativou (hibernou) a terceiro e última célula eletrolítica utilizada na produção de cloro, soda cáustica e dicloretano na fábrica do Pontal da Barra, em Maceió.

Com 49 anos de atividades no estado, a petroquímica encerrou, definitivamente, a mineração de sal-gema depois da tragédia ambiental que destruiu cinco bairros da cidade e provocou o deslocamento de 15 mil famílias forçadas a abandonar suas casas, seus negócios e suas memórias afetivas. No total, 60 mil pessoas foram afetadas pelo afundamento do solo.

A unidade de cloro-soda de Maceió tem papel estratégico na cadeia da química do plástico, não apenas em Alagoas, mas também no Brasil. Seu fechamento definitivo, que pode ocorrer já a partir de janeiro de 2026, pode ter efeitos significativos sobre a economia local, especialmente no setor energético.

Um dos impactos mais imediatos seria sobre a Algás, concessionária estadual de gás natural. A Braskem responde sozinha por mais de 80% de todo o consumo de gás em Alagoas. A desativação da planta deve levar ao encerramento do contrato de fornecimento, o que ameaça a estabilidade financeira da distribuidora e pode gerar reflexos em cadeia, atingindo outros setores produtivos.

Economistas e representantes industriais alertam que o encerramento das operações da Braskem em Maceió representa uma das maiores perdas industriais da história recente de Alagoas. A empresa é uma das principais contribuintes do Estado, com impacto direto na arrecadação de ICMS e na geração de empregos qualificados.

Embora a Braskem não divulgue o faturamento específico de suas operações em Alagoas, estimativas apontam que a movimentação econômica local relacionada à companhia supere R$ 18 bilhões considerando o peso da petroquímica na produção e distribuição de derivados do plástico e o volume de recursos mobilizados para ações de reparação dos danos geológicos em Maceió.

Dicloretano

Em nota recente, o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Alagoas (Fiea), José Carlos Lyra, afirmou que parte dos trabalhadores foi realocada para o polo de Marechal Deodoro e destacou que a empresa mantém investimentos no Estado, inclusive em energia renovável, com o projeto de biomassa em parceria com a Veolia e a Grune.

Segundo a Fiea, a Braskem está realizando uma adequação tecnológica na unidade industrial localizada no Pontal da Barra, em Maceió.

“A planta, que antes se dedicava à produção de cloro soda, passa agora a processar dicloretano, composto químico utilizado como insumo fundamental na fabricação do PVC (policloreto de vinila). O investimento é estimado em R$ 100 milhões e garante a continuidade das operações industriais no local”, informou ao jornal EXTRA o presidente da Fiea, José Carlos Lyra de Andrade.

Ele explicou que a transformação da unidade não representa o fechamento da fábrica, mas sim uma mudança de perfil produtivo. “A informação que recebemos é que a operação no Pontal continua, com parte dos profissionais realocados para a unidade de PVC em Marechal Deodoro. A Braskem realizou um processo de modernização para que a antiga planta de cloro soda passasse a atuar como processadora de dicloretano, mantendo suas atividades e empregos”, afirmou.

De acordo com o líder industrial, não há até agora informações de impacto relevante na arrecadação estadual de ICMS, uma vez que eventuais reduções pontuais tendem a ser compensadas pelo aumento da produção e da movimentação econômica da unidade de Marechal Deodoro, que vem ampliando a fabricação de PVC.

Desmonte

Mesmo com as informações da Fiea, o processo de desmonte em Maceió preocupa. Além do impacto econômico, o encerramento da unidade encerra um ciclo de mais de quatro décadas de atividade industrial na capital alagoana. Enquanto a Braskem tenta atravessar um momento de indefinição nacional — com a Novonor, sua controladora, buscando vender o controle da companhia —, em Alagoas, o cenário é de transição e apreensão.

A petroquímica, que ajudou a formar o polo químico do Estado, pode estar encerrando definitivamente uma de suas mais importantes operações.

O que diz o Sindicato

Veja texto publicado na página do sindicato

Sindipetro AL/SE cobra transparência e respeito aos trabalhadores diante do desmonte da Braskem em Maceió

A notícia sobre o início do desmonte da unidade de Cloro-Soda da Braskem, localizada no bairro do Pontal da Barra, em Maceió, reacendeu a preocupação do Sindipetro AL/SE com a situação dos trabalhadores e com os impactos sociais e ambientais deixados pela maior tragédia ambiental da história de Alagoas.

É importante destacar que a Braskem em Alagoas é composta por três unidades distintas: a Cloro-Soda, que está sendo desmontada, a de Mineração, responsável pela extração de sal-gema e já paralisada após o desastre geológico e a unidade de PVC, situada no Polo de Marechal Deodoro, que segue em operação.

Após 49 anos de funcionamento, a planta de Cloro-Soda, símbolo do colapso que provocou o afundamento de cinco bairros da capital e o deslocamento de mais de 60 mil pessoas, está sendo desmontada. O processo começou pela separação e venda de ligas metálicas como cobre, níquel e aço carbono, com estimativa de arrecadação de mais de R$ 40 milhões.

O encerramento das atividades, no entanto, vem sendo apresentado pela empresa como uma “hibernação”, numa tentativa de evitar o reconhecimento formal do fechamento da unidade, o que obrigaria a Braskem a cumprir compensações trabalhistas maiores e pagar as indenizações devidas aos seus empregados.

Leia aqui na íntegra

Sindipetro AL/SE cobra transparência e respeito aos trabalhadores diante do desmonte da Braskem em Maceió