
O Fórum de Treinadores na sede da CBF tinha tudo para ser histórico. Estrutura rara, visibilidade nacional e Carlo Ancelotti sentado ali, ouvindo.
Era a chance de debater formação, licenças internacionais, metodologia e intercâmbio. Mas o que deveria ter sido uma vitrine do treinador brasileiro virou um retrato da parte da classe que ainda prefere reclamar do mundo em vez de competir com ele.
Sem tema, sem curadoria e com microfone solto, o palco virou desabafo.
Em vez de debate, mágoa.
Em vez de ideia, ressentimento.
Em vez de evolução, nostalgia mal resolvida.
Emerson Leão e Oswaldo de Oliveira atacaram a presença de treinadores estrangeiros como se o problema fosse “quem veio”, e não “quem parou”. O constrangimento foi tanto que a própria CBF Academy precisou publicar nota se afastando do evento. Quando a casa pede desculpa do que aconteceu dentro dela, o vexame está definido.
Não foi o Brasil que passou vergonha.
Foi a ala atrasada do treinador brasileiro que ainda confunde sinceridade com grosseria e acha que ter jogado futebol substitui estudar futebol.
Enquanto isso, outra geração trabalha.
Fernando Diniz, Eduardo Barroca, Maurício Barbieri, Paulo Turra, Zé Ricardo e agora Rafael Guanaes, destaque do Brasileirão 2025 com o Mirassol, mostram que existe sim um treinador brasileiro que estuda, atualiza, compartilha e entende o jogo como conhecimento, não como currículo antigo.
A discussão real não é brasileiro contra estrangeiro.
É treinador atualizado contra treinador parado.
Hoje o Brasil paga mais que muitos clubes da Itália. Por isso Jorge Jesus, Luís Castro, Paulo Sousa, Bruno Lage e Pedro Martins passaram aqui e seguiram empregados fora. Eles não vieram “tomar vaga”. Vieram porque o Brasil virou mercado.
E o contraste fica escancarado num fato simples.
Davide Ancelotti, que nunca foi treinador principal na Europa, está dirigindo um campeão brasileiro como o Botafogo.
Enquanto isso, um técnico brasileiro com Licença PRO não pode assinar súmula na segunda divisão de Portugal.
Essa é a diferença entre o futebol global e a parte do treinador brasileiro que ainda acha que o mundo é injusto com ele.

Se o fórum tivesse curadoria, a mesa seria outra.
Abel Ferreira, Voivoda, Léo Jardim, Fernando Diniz, Barroca, Barbieri, Rafael Guanaes.
A pauta seria clara: modelo de jogo, equivalência de licenças, formação continuada, intercâmbio real.
Isso seria avanço. O resto foi barulho.
O fórum não fracassou porque estrangeiros trabalham no Brasil.
Fracassou porque o Brasil teve a chance de aprender com eles e preferiu reclamar.
O futuro do treinador brasileiro não será decidido no grito.
Será decidido entre os que estudam e os que se ofendem porque o futebol deixou de girar em torno deles.
Quem não entender isso, vira passado antes do tempo.