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HOME > blogs > EDIVALDO JÚNIOR
Sheila Duarte e Tia Júlia, vice e prefeita de Palmeira dos Índios, enfrentam pressão na questão da demacarcação de terras indígenas

BLOG DO
Edivaldo Júnior

Vice de Tia Júlia deixa o PT em meio à crise da demarcação de terras


				Vice de Tia Júlia deixa o PT em meio à crise da demarcação de terras
Sheila Duarte e Tia Júlia, vice e prefeita de Palmeira dos Índios, enfrentam pressão na questão da demacarcação de terras indígenas. Reprodução

A crise política em torno da demarcação das terras indígenas Xukuru-Kariri, em Palmeira dos Índios, começa a cobrar seu preço. A vice-prefeita Sheila Duarte anunciou sua desfiliação do Partido dos Trabalhadores (PT) após mais de duas décadas de militância. A saída ocorre em meio ao acirramento do debate sobre a homologação de mais de 7 mil hectares de terras, que deve atingir parte expressiva da zona rural do município.

A maioria da população de Palmeira dos Índios é contrária à demarcação, e o tema se transformou em um divisor de águas na cidade, pressionando a administração municipal a se posicionar. A movimentação de Sheila seria uma reação direta à pressão popular. Ela deixa o partido logo após o deputado federal Paulão (PT-AL) defender, na Câmara dos Deputados, celeridade na homologação das terras Xukuru-Kariri, reforçando o posicionamento do Governo Federal a favor da causa indígena.

Enquanto a vice-prefeita se afasta do PT, a prefeita Tia Júlia se mantém em cima do muro, empurrando a bronca para o governo federal. Publicamente, ela evita se posicionar contra ou a favor da demarcação, alegando que a Prefeitura “acompanha o processo com responsabilidade e busca o diálogo”.

No entanto, declarações recentes e a própria nota oficial emitida pela gestão municipal indicam que o caminho adotado será o de acatar a decisão da Funai e do Governo Federal, mesmo que isso signifique contrariar a maioria da população local.

“O nosso compromisso é com o diálogo, o equilíbrio e a busca por uma solução pacífica”, diz o texto da Prefeitura. Nos bastidores, porém, o apoio à demarcação é dado como certo. O discurso conciliador, segundo aliados políticos, é uma tentativa de reduzir o desgaste num município onde cresce o sentimento de indignação e insegurança entre pequenos agricultores e trabalhadores rurais.

A possibilidade de homologação das terras, que representam cerca de um terço do território de Palmeira dos Índios, mobiliza comunidades, produtores e lideranças políticas. O temor é de que o reassentamento de famílias e a retirada de pequenos agricultores causem um colapso social e econômico. Em diversas localidades, o clima é de tensão e desconfiança em relação ao poder público.

A crise já começa a redesenhar o cenário político do município. Enquanto Tia Júlia tenta se manter neutra e administrar o desgaste, Sheila Duarte tenta se distanciar do governo federal e do PT, sinalizando que buscará novo espaço político.

O episódio abre caminho para o fortalecimento de outras lideranças locais, como o advogado Adeilson Bezerra, presidente estadual do Solidariedade, que vem se destacando na defesa jurídica dos pequenos produtores e na articulação política em Brasília.

Com a pressão social em alta e a população cada vez mais mobilizada, a demarcação das terras Xukuru-Kariri promete ser o tema central das próximas eleições no município. Candidato a deputado em 2026 que ficar a favor da demarcação deve ter poucas chances de votos na cidade. E claro que esta questão terá fortes reflexos nas eleições municipais de 2028. Mas essa é outra história.

Veja a nota da Prefeitura de Palmeira sobre a demarcação de terras indígenas

NOTA OFICIAL

A Prefeitura de Palmeira dos Índios vem a público informar que tem acompanhado com atenção e responsabilidade o processo de demarcação de terras indígenas de responsabilidade do Governo Federal. O nosso compromisso é com o diálogo, o equilíbrio e a busca por uma solução pacífica que respeite todos as partes.

Condenamos qualquer tipo de violência, bem como as abordagens intempestivas da FUNAI, sempre acompanhadas de policiais armados nas propriedades e até em áreas da cidade, especialmente diante de pessoas doentes, acamadas e idosos nestes locais. Pedimos cuidado e cautela, considerando que nesta área residem aproximadamente 10 mil pessoas, das quais 2,5 mil são pequenos agricultores e trabalhadores rurais com CAF OU DAP.

Reconhecemos o direito dos povos originários e tradicionais, mas também temos a obrigação de defender que, em havendo a demarcação nesse território, que seja garantida uma indenização justa, considerando o valor real das propriedades afetadas nas áreas rurais ou urbanas.

A prefeitura vai continuar apostando na força do diálogo, na boa fé e continuará mantendo contato permanente com as autoridades públicas e instituições dos governos federal e estadual para que se alcance uma solução definitiva para essa situação que se arrasta há muitos anos.

O município reitera que jamais se furtará de defender os interesses dos povos originários, das comunidades tradicionais, dos trabalhadores rurais, dos agricultores familiares e proprietários rurais, na busca por justiça social e igualdade de direitos para todos.

O nosso povo precisa de paz, respeito e segurança jurídica. Este é o compromisso da gestão municipal com Palmeira dos Índios.

Prefeitura de Palmeira dos Índios

(17.10.25 )