Em um ano, Santa Casa de Maceió realiza quase 80 reconstruções mamárias pós-mastectomias
Atendimento foi iniciado em outubro de 2024 durante mutirão de consultas de oncoplastia

Em 29 de outubro de 2024, o Serviço de Mastologia da Santa Casa de Maceió realizou um mutirão de consultas em oncoplastia (reconstrução mamária) para mulheres mastectomizadas. No período de um ano, quase 80 cirurgias foram realizadas, e outras já estão agendadas, promovendo um avanço no atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em Alagoas.
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Com recursos provenientes de uma emenda parlamentar do então senador Rodrigo Cunha, que destinou R$ 9 milhões para atender necessidades assistenciais de pacientes oncológicos apontadas pela Secretaria de Saúde de Maceió, entre elas, as cirurgias de oncoplastia, o trabalho da instituição possibilitou que pacientes tivessem a mama e a qualidade de vida restauradas.
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“Até o fim do ano, projetamos chegar a 91 reconstruções, algo que nunca havia sido feito pelo SUS em nosso estado. Já contabilizamos 71 pacientes submetidas à reconstrução mamária pós-mastectomia; alguns casos foram de cirurgias bilaterais (nas duas mamas), o que faz esse número chegar a 79. Outras 12 cirurgias estão previstas para a troca de expansores por próteses definitivas. A Santa Casa de Maceió, hoje, é o hospital que mais realiza reconstruções mamárias pelo SUS em Alagoas”, destacou a coordenadora do serviço, a mastologista Lígia Teixeira.
Estudos clínicos apontam que mulheres submetidas à cirurgia de reconstrução mamária apresentam menor risco de desenvolver depressão após o tratamento do câncer e relatam melhora significativa na qualidade de vida. Além de restaurar a forma da mama, o procedimento tem papel fundamental na recuperação emocional e na autoestima das pacientes.


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Com agendas diárias, as cirurgias são realizadas no Centro Cirúrgico por membros da equipe de mastologia do hospital. Em 1º de outubro, mais uma mama foi salva graças à técnica de reconstrução imediata.
“Realizamos uma cirurgia mínima, na qual preservamos a maior parte da mama dessa paciente. Talvez, no passado, ela fosse submetida à retirada completa, sem reconstrução, e ficasse de alguma forma mutilada. O procedimento foi uma quadrantectomia com reconstrução imediata, utilizando gordura da própria paciente para repor o volume na área onde o tumor foi retirado. Assim, ela poderá retomar sua vida com mais qualidade após o tratamento”, explicou Lígia Teixeira.
A reconstrução mamária pode ser realizada de duas formas: imediata ou tardia. A primeira ocorre no mesmo momento da cirurgia para retirada do câncer; já a segunda é feita alguns meses ou até anos após o tratamento, dependendo da condição clínica da paciente e da indicação médica.
De acordo com especialistas, a técnica mais utilizada após a mastectomia é a reconstrução com prótese de silicone. No entanto, além dela e da quadrantectomia, também é possível realizar o procedimento com tecidos autólogos, ou seja, utilizando músculo e gordura da própria paciente, sem necessidade de prótese.
Lígia Teixeira reforça que o melhor momento para realizar a reconstrução é, sempre que possível, durante o tratamento do câncer, no mesmo ato cirúrgico.
“Mas a reconstrução tardia também é capaz de proporcionar inúmeros benefícios, principalmente o resgate da autoestima e da qualidade de vida. Entretanto, é uma cirurgia que envolve riscos e benefícios. Muitas vezes, são necessárias duas ou três intervenções, trata-se de uma jornada, não de um único momento”, afirmou.
Para a mastologista, os avanços na oncoplastia transformaram o tratamento do câncer de mama em Alagoas. “Pacientes que, no passado, sofriam algum tipo de mutilação por conta da retirada do câncer, hoje têm a possibilidade de reconstruir suas mamas e suas vidas, alcançando uma melhor qualidade de vida após o tratamento”, concluiu.
