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'Começou tirando a blusa, depois o sutiã, e foi evoluindo', diz brasileira abusada por Epstein

Marina Lacerda descreve encontro com o bilionário acusado de tráfico sexual. Amigo de poderosos, americano foi encontrado morto na prisão em 2019. Veja abaixo partes da entrevista à TV Globo. O Fantástico deste domingo (28) exibe reportagem sobre o tema.


				'Começou tirando a blusa, depois o sutiã, e foi evoluindo', diz brasileira abusada por Epstein
Marina Lacerda em Nova York. - crédito: Reprodução

"As coisas começaram a piorar. Começou tirando a blusa. Depois, o sutiã. Depois de tirar o sutiã, ele começava a se tocar, aí começou a me tocar, e foi evoluindo. Não sei como aceitei isso, mas eu aceitei", afirma a brasileira Marina Lacerda, que relatou ter sido abusada pelo bilionário Jeffrey Epstein em 2002, quando tinha 14 anos.

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Marina, agora com 37 anos, conversou na última quinta-feira (25) com a repórter Carolina Cimenti, da TV Globo, em Nova York.

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Marina diz que, no primeiro contato, Epstein pediu que ela e uma amiga tirassem a blusa durante uma sessão de massagem na casa dele. Segundo ela, a situação piorou nos encontros seguintes.

O Fantástico exibe reportagem sobre o tema neste domingo (28).

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A brasileira veio a público no início de setembro, quando concedeu uma entrevista coletiva, ao lado de outras vítimas de Epstein, para pedir que o Congresso americano aprove uma lei que obrigue a divulgação de todos os documentos da investigação. Ela se tornou uma das testemunhas-chave.

Abaixo, veja um resumo do caso Epstein. O bilionário americano foi acusado de tráfico sexual de menores e morreu na prisão, em 2019. A perícia concluiu que ele se matou.

🔍 Entre 2002 e 2005, Jeffrey Epstein foi acusado de aliciar dezenas de meninas menores de idade para encontros sexuais em suas mansões.

🔍 Em 2008, Epstein chegou a firmar um acordo com a Justiça para se declarar culpado. Em 2019, o caso voltou à tona, quando autoridades federais consideraram o acordo inválido e determinaram a prisão do bilionário por tráfico sexual.

🔍 O bilionário morreu na cadeia poucos dias após ser preso. Segundo as autoridades, ele tirou a própria vida.

🔍 Jeffrey Epstein tinha relação com figuras influentes, como políticos e empresários — entre eles, Donald Trump. A ligação virou tema sensível para o governo dos EUA após o nome do presidente aparecer em documentos do caso. Trump nega envolvimento e diz ter rompido com Epstein em 2004.

🔍 De acordo com a TV americana ABC News, Marina forneceu "evidências essenciais" que ajudaram os promotores a acusar e condenar posteriormente o empresário.

'Oi, eu sou o Jeffrey': como foi o primeiro contato

Marina conta que o primeiro contato com Epstein aconteceu na mansão do empresário. Ela diz que foi levada por uma amiga para fazer uma massagem. Na ocasião, tinha 14 anos e procurava trabalho.

"Ele tinha um quarto de massagem, um quarto escuro, sem janelas. Só tinha uma cama e uma prateleira cheia de cremes", diz a brasileira.

"Ele chegou e falou: 'Oi, eu sou o Jeffrey', e começou a conversar comigo. 'Quantos anos você tem', 'de onde você é'... começou a perguntar da minha vida, e eu comecei a responder", afirma.

Só de sutiã

A brasileira diz que não sabia quem era Jeffrey Epstein e que, ao ver a mansão, deduziu tratar-se de alguém importante.

Segundo Marina, na sala de massagem, Epstein disse para a amiga dela "ficar confortável". A amiga, então, tirou a blusa e ficou só de sutiã.

"Aí ela falou: 'Marina, tira a blusa'. Eu fiquei pressionada, eu falei 'meu Deus, o que eu faço nessa situação?' Estava até com vergonha de falar 'não', não sabia como sair daquela situação. Uma pessoa que parecia ser superpoderosa", conta Marina. "Tirei a blusa, fiz uma massagem e pronto, acabou. Ele deu dinheiro para ela, fui embora, pegamos o táxi."

A brasileira conta que a amiga, na época, minimizou o fato e disse que "não era nada". Um tempo depois, afirma Marina, Epstein ligou para a amiga dela e pediu que elas voltassem.

"Naquele tempo eu pensei 'gente, ele não está me tocando, não tem nada de errado'. Mas as coisas começaram a piorar, e evoluiu para outras coisas."

Histórico de violência sexual

A brasileira diz que antes do episódio com Epstein, já havia enfrentado outras situações de violência sexual quando era menor de idade. Ela afirma que foi abusada pelo padrasto aos 12 anos.

"Quando você já é abusada sexualmente, você perde a noção. Naquele tempo, eu perdi a sensibilidade do que é certo e errado em termos de sexo e abuso, porque o que eu já tinha passado com meu padrasto, não tem pior."

Na acusação formal contra Epstein, Marina foi identificada como "vítima menor 1". Ela forneceu informações cruciais que levaram o empresário à prisão, segundo a imprensa americana.

A brasileira diz que conheceu Epstein em 2002. Na época, dividia um quarto no bairro do Queens, em Nova York, com a mãe e a irmã. As três haviam acabado de se mudar para os EUA.

Marina afirma que trabalhava em três empregos para sustentar a família. Foi nesse contexto que surgiu a oportunidade de conhecer Epstein, apresentada como uma proposta de trabalho.

Segundo ela, os abusos duraram três anos. Epstein começou a perder interesse na brasileira quando ela tinha entre 16 e 17 anos, alegando que estava "velha demais".

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