Bilhões, corrupção e mineração ilegal: ex-mulher denuncia esquema de alagoano líder de quadrilha em Minas Gerais
Alan Cavalcante e outros 2 integrantes da quadrilha foram transferidos para o presídio federal de segurança máxima em Campo Grande

Gazetaweb.com, com Fantástico
22/09/2025 às 10:25 • Atualizada em 22/09/2025 às 10:36 - há XX semanas
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Um esquema de mineração ilegal e corrupção em Minas Gerais foi desmascarado nesta semana, revelando a atuação de empresários, servidores públicos e políticos envolvidos na exploração de áreas protegidas em troca de vantagens ilícitas.
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O Fantástico desse domingo (21) trouxe a denúncia mais recente, a da ex-mulher de Alan Cavalcante do Nascimento, alagoano apontado como líder da quadrilha, que detalhou o funcionamento do grupo e como o dinheiro do esquema era escondido.
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Segundo a ex-mulher, Alan armazenava US$ 10 milhões em malas em um apartamento em Alagoas. “Ele guardou essas malas num apartamento, com um valor de R$ 10 milhões de dólares”, relatou.
Sobre a forma de agir do marido, ela disse: “Ele é um psicopata que está tratando tudo isso de caso pensado e ele acha que vocês (Polícia Federal) nunca vão pegar ele.”


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A investigação da Polícia Federal aponta que Alan, junto com João Alberto Paixão Lages, ex-deputado estadual, e Helder Adriano de Freitas, especialista em mineração, obtinha contratos vantajosos e licenças irregulares para exploração de minérios de ferro na Serra do Curral.
Nos arquivos dos suspeitos, foram encontrados nomes de políticos, servidores públicos e especialistas em mineração, evidenciando a tentativa de influência sobre o poder público.
Entre as estratégias do grupo, Alan teria comprado imóveis em prédios onde residiam juízas responsáveis por seus processos. “Ele já tinha comentado que tinha que ser no mesmo prédio da juíza”, contou a ex-mulher.
Alan também tentou se aproximar de Marília Carvalho de Melo, então secretária de Meio Ambiente de Minas, chegando a envolver os filhos para criar proximidade.
“Ele tentou, eu me aproximar dos filhos, né? Brincar com ele e tal. E ele falou: ‘Se aproxima dele e tal, para a gente criar um relacionamento bom com ela’.”
A tentativa de aproximação não deu certo porque a secretária foi ameaçada pelo sócio de Alan: “Ô, ilustre secretária de m... nenhuma. Aqui, você para de bandidagem. De tentar extorquir a Global no nosso licenciamento.”
“Eu não sei o que ele fala de bandidagem ou de extorsão. Pelo contrário, a minha ação foi de garantir a legalidade nesse processo e, por isso, eu fui ameaçada”, disse a secretária.
A empresa Fleurs Global, que tratava o minério extraído, movimentou mais de R$ 4 bilhões em cinco anos, sendo apontada como o núcleo financeiro da organização criminosa. Enquanto isso, moradores da comunidade de Botafogo, em Ouro Preto, sofrem com a escassez de água e os impactos ambientais causados pela mineração irregular.
Em áudios e documentos, Alan ironizava sobre os resíduos gerados: “Pela quantidade de rejeito que a gente tem e que vai gerar ao longo dos anos, dá para colocar piso em Belo Horizonte toda.”
Após a operação, Alan, Helder e João Alberto foram transferidos para o presídio federal de segurança máxima em Campo Grande, marcando a primeira vez que presos por crimes ambientais são levados a uma penitenciária federal. A exploração da Serra de Botafogo foi imediatamente interrompida, e especialistas reforçam a urgência da recuperação das áreas degradadas.
O Fantástico procurou as defesas dos envolvidos, mas ninguém foi localizado. A Agência Nacional de Mineração reiterou sua colaboração com as autoridades na investigação.