Caso Anthony Levy: pai é condenado a 52 anos de prisão por matar filho de 4 anos envenenado
O julgamento ocorreu nesta quinta-feira (18), no Fórum do Barro Duro, em Maceió

Matheus Omena Soares, 24 anos, foi condenado a 52 e 4 meses anos de prisão pelo assassinato do próprio filho, o pequeno Anthony Levy, de apenas 4 anos, morto por envenenamento no dia 27 de maio de 2024. O julgamento ocorreu nesta quinta-feira (18), no Fórum do Barro Duro, em Maceió.
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Ao longo da investigação, Matheus confessou que comprou chumbinho, veneno para rato, em uma feira no bairro do Jacintinho. Cinco dias depois, colocou o produto no mingau da criança.
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Levy ingeriu o mingau contaminado pouco tempo antes de ir à escola, no bairro do São Jorge. Ele passou mal na unidade de ensino e, em seguida, foi levado para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA), no Jacintinho, mas não resistiu.

A Polícia Civil chegou até o pai da criança após a constatação, por meio de exame pericial, de que o menino havia sido vítima de envenenamento.


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No dia em que Anthony morreu, ele foi levado pelo próprio pai para a creche. Imagens de monitoramento mostraram o momento em que a criança chega na garupa da motocicleta conduzida por Matheus Soares.
O circuito interno também registrou o homem levando o filho até a sala de aula e, após deixá-lo, jogando um frasco dentro de uma lixeira.
Esse frasco foi recolhido por uma funcionária da escola. O objeto foi periciado e confirmou-se a presença do veneno.
Ao ser confrontado, o pai confessou que envenenou o próprio filho para se vingar da ex-mulher, mãe do menino. O casal havia se separado seis meses antes, após um relacionamento de cinco anos.
Julgamento

O júri começou com o depoimento da mãe da criança, Ingrid Nascimento, que relatou os acontecimentos anteriores ao filho passar mal na escola. Ela afirmou que foi informada pela instituição de ensino sobre o estado de saúde do menino e que ele foi levado para a UPA em uma van escolar.

Emocionada, descreveu os momentos de agonia vividos na unidade de saúde, o desespero ao receber a notícia da morte do filho e a postura fria do pai diante do falecimento.
Durante o Júri Popular, o promotor Flávio Gomes classificou o ato como de “requintes de crueldade e perversidade”:

“Matar com chumbinho já é horrível, porque a morte do rato é agonizante. Imagine de uma criança de 4 anos, que teve tontura, espasmos, vômito, hemorragia, parada cardíaca e morreu sem ar. Tudo isso se torna ainda mais chocante pelo fato de ter sido cometido pelo próprio pai, que deveria zelar e proteger.”
O defensor público Eraldo Silveira Filho destacou que a acusação foi “bem formulada” e que a defesa buscará garantir que o julgamento ocorra de maneira digna, com respeito ao rito do tribunal do júri.
A diretora da escola, que participou do socorro à criança, também depôs diante do júri. Ela relatou que foi chamada pelas professoras após o menino passar mal e que o quadro se agravou rapidamente.
“A criança não conseguia se levantar e chegou a apresentar espuma na boca”, afirmou.
Ainda em depoimento, a diretora destacou a diferença de comportamento entre os pais na UPA. Segundo ela, enquanto a mãe demonstrava desespero, o pai se mantinha calmo. Ela também relatou que, ainda no local, o réu acusou a escola de ter administrado alguma medicação à criança.

Quem também depôs foi a auxiliar de sala da unidade de ensino. Ela afirmou que encontrou um frasco com veneno jogado entre os brinquedos usados pelas crianças durante o intervalo. Contou que não reconheceu o conteúdo, mas achou estranho e entregou o frasco à professora. De imediato, ninguém na escola conseguiu identificar do que se tratava.
A auxiliar disse que só soube no dia seguinte que se tratava de veneno.
