Trend para mostrar altura tem erros de matemática que distorcem realidade
Em brincadeira nas redes, usuários colocam foto de uma pessoa em um gráfico para representar a altura dela. Apesar de divertida, trend carrega falhas que, em contextos mais sérios, poderiam levar a interpretações equivocadas dos números

“Mostre a todos o quão alto você é”: essa é a proposta de uma trend que dominou as redes sociais e mobilizou até atletas da Seleção Brasileira de vôlei. O problema é que a brincadeira, apesar de divertida, tem um erro grave de… matemática.
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📏Como funciona? Quem participa do "desafio" coloca uma foto de si mesmo em um gráfico no qual o eixo y (vertical) marca a altura da pessoa em centímetros. O resultado leva a comparações como esta abaixo, entre a líbero Marcelle e o central Judson Nunes:
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➡️E qual é o erro? Veja o exemplo abaixo.

Um homem, de 1,60 m, fica com a cabeça batendo no quarto “risquinho” do eixo y.


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Uma mulher, medindo 1,80 m, está posicionada na marca correspondente à sua altura no gráfico – ou seja, no oitavo “risquinho”.
Se o homem está no 4º “risco”, e a mulher, no 8º, ela, em tese, teria o dobro do tamanho dele. Mas é uma conclusão falsa! Essa diferença chocante entre os dois, ilustrada no gráfico, só seria real se as alturas fossem 1,60 m e… 3.20 m.
🔎“Seria o equivalente a um gráfico de barras, em que comparamos comprimentos. O principal é: o eixo vertical precisa sempre começar do zero. O da trend já parte de 1,40 — por isso, leva a distorções”, explica Fernanda Peres, especialista em estatística aplicada.
Neste caso da altura, é só uma brincadeira, claro. Mas é preciso ficar atento: o mesmo erro pode ser cometido propositalmente por alguém que queira manipular dados de uma pesquisa eleitoral, por exemplo.
“Em eleição, já vi candidato postando gráfico que não começa do zero e distorce a realidade”, diz Peres. “Essa alteração pode fazer com que um aumento de 2% na intenção de votos pareça algo muito maior. Se a pessoa não prestar atenção, vai ser influenciada por isso.”
E há um segundo elemento da trend que, analisando sob a ótica da matemática, também compromete o resultado. Perceba que, quando a fotinho da pessoa mais alta é colocada no gráfico, não é só na vertical que o tamanho é ampliado — na lateral, também, para a imagem não ficar deformada.
Esteticamente, sem dúvidas, fica mais harmônico. Mas imagine se fosse um gráfico de barras: comparar uma barra fininha com uma mais larga traria a impressão de uma diferença mais gritante entre os índices.

Como ficaria o gráfico sem os erros?

Em resumo, para a trend ficar matematicamente correta, precisaria:
ajustar a escala e começar o eixo y com zero, e não com 1,40 (se formos mais rigorosos, também podemos mencionar a necessidade de citar a unidade de medida no gráfico);
esticar a foto apenas na vertical, sem alterar sua largura.
“São detalhes que, vistos na internet, podem passar batido. Dependendo do contexto, a pessoa acaba correndo o risco de ser influenciada”, afirma a especialista em estatística. “E mais: o Enem gosta bastante de análise descritiva de gráficos.”
Se uma trend dessa cair na prova, você já sabe…
