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Jovem presa por publicar fofocas em rede social transformou extorsões na principal fonte de renda

Anielly Mariana Sousa, de 21 anos, cobrava para apagar posts sobre traições e dívidas nas redes sociais


				Jovem presa por publicar fofocas em rede social transformou extorsões na principal fonte de renda
Anielly foi presa preventivamente durante a Operação Maledicta Bocca. Reprodução/Redes Sociais

Foi cobrando para remover as fofocas feitas em sua página nas redes sociais, que Anielly Mariana Sousa Silva, de 21 anos, passou a ganhar a vida entre os meses de maio e junho deste ano. Presa pela Polícia Civil por extorsão digital, a investigada usava o perfil para expor moradores de Conceição das Alagoas e Uberaba, no Triângulo Mineiro, e transformou as cobranças em sua principal fonte de renda.

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O g1 procurou os advogados Wemerson Moreira e Carlos Augusto, responsáveis pela defesa de Anielly, mas eles informaram que, por enquanto, não irão se manifestar sobre o caso.

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A Polícia Civil já identificou três vítimas das extorsões e continua investigando para localizar outros casos e calcular quanto a jovem arrecadou com as publicações. Há pelo menos dez boletins de ocorrência contra ela por crimes contra a honra.

Dentre os temas das fofocas, estavam supostas traições, exposição de devedores. O g1 apurou ainda que, entre os Boletins de Ocorrência registrados contra Anielly nos últimos meses, há um caso envolvendo uma instituição social da cidade, onde a página administrada por ela informava supostos maus-tratos a uma criança.

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Em outro boletim, Anielly é acusada de prejudicar o tratamento psicológico de uma mulher que vinha sendo exposta na página de fofocas. A vítima havia perdido recentemente o companheiro em um acidente, e a exposição, segundo consta no registro policial, teria agravado o estado emocional da vítima.

Segundo o delegado Bruno Vinícius, Anielly intensificou as postagens nos últimos meses e passou a negociar diretamente com as vítimas.

"Ela contou que chegou a ganhar R$ 500 de uma mulher, de um rapaz ela ganhou R$ 200. Ela não tinha critério para os valores, ela negociava com as vítimas. O que ela queria era dinheiro", comentou o delegado.

Jovem mudou de cidade após ser agredida por moradores

Anielly foi agredida por moradores de Conceição das Alagoas (MG), cidade com menos de 30 mil habitantes, por causa das publicações que fazia. Segundo a Polícia Civil, as ameaças e os episódios de violência a forçaram a deixar o município e se mudar para Uberaba, a cerca de 60 km da terra natal.

Foi na cidade vizinha que, segundo o delegado, Anielly começou a ter mais engajamento no perfil de fofocas. O número de seguidores cresceu e as postagens se tornaram mais frequentes e principal fonte de renda da investigada.

"Isso aconteceu entre maio e junho. Nessa época, a página dela estava começando. Quando ela chegou em Uberaba, as fofocas passaram a ser mais recorrentes e ela passou a lucrar com as extorsões até tornar isso a sua principal fonte de renda", explicou delegado Bruno Vinicius.

Após 50 dias de investigação e análise de mais de 12 mil páginas de conteúdo digital, a polícia realizou a Operação Maledicta Bocca e cumpriu o mandado de prisão preventiva contra a jovem.

Operação Maledicta Bocca em Conceição das Alagoas

Durante a Operação Maledicta Bocca, a 1ª Vara Criminal de Conceição das Alagoas também determinou o bloqueio das contas utilizadas para receber os valores extorquidos, além da suspensão, por prazo indeterminado, da página administrada pela investigada e responsável pelas publicações difamatórias.

"A internet não é e nunca será uma terra sem lei. A Polícia Civil trabalhou incansavelmente na apuração dos delitos. A investigação prossegue e um volume ainda maior de dados será analisado", concluiu o delegado.

A orientação da polícia é para que todas as pessoas que se sentiram prejudicadas e que efetuaram pagamentos para a remoção de postagens procurem a polícia para registrar Boletim de Ocorrência.

A suspeita segue detida na Penitenciária Professor Aloisio Inácio Oliveira, em Uberaba.

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