Juiz que fez audiência em calçada conta como conheceu a história do morador de rua
Imagens da audiência no bairro da Levada viralizaram e magistrado explica como tudo aconteceu

Jamylle Bezerra
12/09/2025 às 13:21 • Atualizada em 12/09/2025 às 16:18 - há XX semanas
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Após viralizar ao realizar uma audiência em uma calçada no bairro da Levada, em Maceió, o juiz titular da 9ª Vara Federal em Alagoas, Antônio José de Carvalho Araújo, deu detalhes a respeito do caso e contou como a história de Amarildo Francisco dos Santos, de 57 anos, homem em situação de rua que aguardava uma decisão judicial sobre um processo previdenciário, chegou até ele.
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Tudo começou quando o assessor do juiz, identificado como Douglas, foi ao mercado da Levada e se deparou com Amarildo, que lhe pediu uma ajuda em dinheiro. Mais que ajudar, o servidor realizou uma verdadeira escuta empática e descobriu que o homem em situação de rua tinha um processo tramitando na vara em que ele trabalhava.
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O caso foi levado até o juiz, que, de imediato, acionou as outras instituições e decidiram fazer a audiência no meio da rua, para agilizar o caso.
“Uma pessoa que trabalha diretamente comigo, o Douglas, que é muito preparado, estava indo ao mercado no bairro da Levada, passou e Amarildo pediu uma ajuda financeira. Mas ele foi além da ajuda material e parou para ouvir, porque as pessoas, muitas vezes, querem ser ouvidas e não necessariamente querem somente a doação em dinheiro ou de alimentos. O Douglas descobriu que ele tinha um processo na justiça e disse a ele que o caso estava, justamente, com o juiz com o qual ele trabalhava. Ele me passou a situação e, de imediato, fomos fazer essa audiência”, relatou o magistrado, durante entrevista à TV Pajuçara.


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Após contar com o apoio da procuradora-chefe do INSS em Alagoas, Tatiana Cabral Xavier, e do advogado do homem em situação de rua, Carlos Marcel, que toparam realizar a audiência em uma calçada, a situação foi resolvida e houve conciliação.
Agora, após a homologação do acordo firmado entre as partes, Amarildo está apenas esperando a liberação do seu benefício que, com toda certeza, lhe trará mais dignidade. “Amarildo conseguiu o benefício, pois houve um acordo com a procuradora e o advogado. E a RPV, que é o dinheiro dos atrasados, também vai ser expedido. Esse caso tem tudo para atuarmos com a ideia de emancipação”, destaca o juiz.
Ele afirma que o compartilhamento do vídeo se deu com o objeto de servir de exemplo para que situações como essa, que tenham o objetivo de ajudar o cidadão, em especial aqueles que vivem em condições de extrema vulnerabilidade, sejam replicadas.
“Pessoas em situação de rua têm hipervulnerabilidade e prioridade de tramitação processual, pois estão expostas a todos os riscos que a gente imagina que uma pessoa pode sofrer. O serviço público precisa se ajustar, em especial, aos povos em vulnerabilidade socioeconômica. Ir até a presença do povo quando necessário, em especial o povo carente, é central para o sistema de justiça e o Poder Judiciário”, concluiu o juiz.