Jurista alagoano diz que voto de Fux é 'demolidor' e esvazia discurso político
Para Adriano Soares, ministro do STF desmontou narrativas políticas e recolocou o discurso jurídico no centro do debate

Thiago Gomes
11/09/2025 às 8:14 • Atualizada em 11/09/2025 às 8:25 - há XX semanas
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O jurista alagoano Adriano Soares considerou “demolidor” o voto do ministro Luiz Fux no julgamento da chamada trama golpista no Supremo Tribunal Federal (STF). Para ele, Fux “demole a narrativa” e recoloca o discurso jurídico no centro das discussões, “esvaziando, portanto, o discurso político, retórico e emotivo” que, segundo avalia, predominou na sessão anterior.
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Em entrevista à imprensa, Soares observou que o tom do julgamento vinha sendo marcado por discursos “emotivos e, em alguns momentos, sarcásticos, o que não é próprio de uma causa dessa magnitude”. Ele disse estar curioso para ver como outros ministros, como Cristiano Zanin, vão dialogar com os argumentos apresentados por Fux.
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O jurista chamou atenção para o alerta feito pelo ministro no início do voto, sobre a necessidade de o Supremo evitar precedentes que possam “espraiar abusos” ao sistema judicial.
Para Soares, houve no processo violações às prerrogativas de advogados, como a proibição de filmar atos públicos e a exigência de entrega de celulares, sem reação firme da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).


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“A careação é peça de defesa e a filmagem poderia demonstrar a linguagem corporal e a credibilidade dos depoimentos, mas isso foi negado à defesa”, lamentou.
Adriano Soares também relacionou o voto de Fux à defesa da liberdade de expressão. “Talvez esse seja o grande mérito do voto do ministro Fux: preservar o Estado Democrático de Direito começando pelo respeito ao pensamento e à liberdade de expressão”, afirmou.
Para ele, decisões judiciais que banalizam restrições à livre manifestação de ideias podem fomentar violência política, como a que vitimou recentemente o professor conservador Charlie Kirk, em um ataque dentro de uma faculdade, fato que o jurista disse ter recebido com tristeza.
Soares reforçou que a racionalidade política deve se fazer “num espaço público partilhado e democrático”, em que a liberdade de expressão não seja cerceada. “O voto de Fux mostrou que ainda há espaço para o diálogo jurídico e para conter abusos processuais que podem se tornar regra na primeira instância”, concluiu.