Água contaminada ameaça saúde no Sertão alagoano, alerta FPI
Fiscalização encontra irregularidades no abastecimento por carros-pipa em Pão de Açúcar

JOBISON BARROS*
24/08/2025 às 8:23 • Atualizada em 24/08/2025 às 9:11 - há XX semanas
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Água é vida — e, no Sertão, é também resistência. Mas a sobrevivência de comunidades no semiárido alagoano tem sido colocada em risco diante da precariedade no abastecimento por carros-pipa. Durante a 15ª etapa da Fiscalização Preventiva Integrada (FPI) do São Francisco, realizada em municípios da região, uma série de irregularidades foi identificada em veículos utilizados para transportar água a populações vulneráveis, especialmente no município de Pão de Açúcar.
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A operação, que contou com a equipe de Abastecimento de Água e Esgotamento Sanitário Urbano, focou na avaliação da qualidade da água fornecida à população.
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Embora o uso de carros-pipa seja comum em períodos de estiagem, o que se encontrou foi alarmante: tanques sem vistoria, coleta de água em pontos inadequados, ausência de tratamento adequado e descumprimento das exigências do Ministério da Saúde. Todos esses fatores elevam consideravelmente o risco de contaminações e doenças de veiculação hídrica.
A situação é ainda mais crítica diante da chamada seca verde — quando, apesar da vegetação aparente, as reservas hídricas são insuficientes. Sem chuvas regulares e com o agravamento das mudanças climáticas, o acesso à água potável se torna um desafio diário para famílias do interior alagoano.


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A fiscalização evidenciou não apenas falhas operacionais, mas também a omissão de responsabilidades por parte de autoridades locais.
“O que observamos não é apenas um problema de transporte, mas de saúde pública”, afirmou Elizabeth Rocha, coordenadora da equipe. “As prefeituras precisam entender que garantir água dentro dos padrões de potabilidade é um dever legal e moral. O não cumprimento disso compromete vidas em uma região já marcada pela vulnerabilidade.”
A FPI do São Francisco reúne diferentes instituições comprometidas com a proteção ambiental e o bem-estar da população. A equipe envolvida nas ações de abastecimento e saneamento conta com técnicos do Crea-AL, CRQ-17, CRT-3, IMA/AL, MP/AL, Sesau e Semarh.
A atuação conjunta tem sido decisiva para identificar falhas e pressionar por soluções que respeitem os direitos básicos das comunidades atendidas.
Em meio à crise hídrica, a fiscalização mostra que não basta levar água: é preciso garantir que ela seja segura. E, no Sertão, isso pode significar a diferença entre a vida e a morte.

*Com assessoria