Conheça como eram divididos os trabalhos na Orcrim que lesava idosos com falsos consignados
Um dos braços do grupo criminoso era responsável pela captação de laranjas; grupo foi alvo de operação nesta terça

Durante entrevista coletiva no início da tarde desta terça-feira (19), a Polícia Civil detalhou como funcionava o esquema dos falsos consignados que lesava idosos em Alagoas e causou um prejuízo superior a R$ 1 milhão. Alvo de cumprimento de mandados, a Organização Criminosa (Orcrim) tinha uma divisão bem estruturada, com o comando das ações partindo do sistema penitenciário de Alagoas, onde o homem apontado como líder do grupo encontra-se preso por homicídio.
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Conforme as investigações, uma parte do grupo era responsável pela captação de idosos, para que as imagens deles pudessem ser usadas para criar contas e solicitar os empréstimos. Conforme explicou a delegada Maria Eduarda, o grupo utilizava dados de beneficiários reais, mas com fotos de laranjas.
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Outro braço da Orcrim era responsável pela falsificação de documentos. Um dos alvos da operação deflagrada hoje, no local onde os falsos documentos eram confeccionados foram apreendidos diversos itens, o que inclui até diplomas de universidade falsificados.
O grupo contava ainda com um responsável por guardar o dinheiro do líder, que encontra-se preso, enquanto a filha dele organizava os negócios aqui fora, já que ele estaria envolvido com o ramo da construção civil.


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Segundo o delegado José Carlos, para pegar o empréstimo consignado, o grupo criminoso buscava dados de pessoas no banco do INSS, falsificava documentos, criava contas gov.br e fazia solicitações de empréstimos em instituições financeiras digitais, utilizando toda a margem disponível.
“Os empréstimos chegavam até a 70 mil reais e o dinheiro era depositado na conta do falso idoso, sendo imediatamente transferido para as contas de laranjas. Após umas três camadas de transferência, o dinheiro chegava na conta dos líderes da Orcrim”, afirma.
Das doze pessoas envolvidas no esquema e que foram alvos da operação, cinco já tinham sido presas pela Polícia Federal por fraudes contra o INSS. Na ocasião, eles criavam benefícios falsos, inventaram documentos de pessoas que não existiam, faziam os benefícios e passavam a receber mensalmente.
“Isso mostra que, apesar de já terem sido alvos da PF, eles não aprenderam. O que estamos buscando agora é sequestrar os bens para descapitalizar a organização. Esse grupo é perigoso, tanto que o líder está preso por homicídio, um crime cujo alvo era a ex-esposa e, por engano, a vítima acabou sendo a cunhada dele. Durante as investigações, também encontramos provas de que ele determinou o homicídio de uma senhora que era laranja do esquema em Marechal Deodoro. Ela foi assassinada em maio de 2024. Estamos enviando todas essas informações à Justiça”, afirma o delegado.
