Os cortes de Trump afetaram a resposta às enchentes do Texas?
Catástrofe levanta dúvidas sobre o preparo das agências federais que vêm enfrentando demissões em massa por ordem do governo

Desde o feriado de 4 de julho, os americanos se questionam como a tragédia causada por enchentes repentinas e mortais na área conhecida como Texas Hill Country poderia ter sido evitada, e também se a política de cortes no Serviço Nacional de Meteorologia (NWS) e na Agência Federal de Gestão de Emergências (Fema), instigada pelo governo Trump, teria contribuído para o aumento do número de mortos, que já passa de 120.
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A Casa Branca descrevia na segunda-feira (7) as enchentes como “um ato de Deus”, enquanto as consequências do desastre já levantavam dúvidas sobre o preparo e a resposta destas agências e outras do setor, que perderam centenas de funcionários, por demissões ou incentivos à aposentadoria antecipada.
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Moradores e autoridades locais dizem que foram surpreendidos pelas chuvas torrenciais e descreveram as previsões do serviço meteorológico como inadequadas.
Democratas se apressaram a associar a tragédia, que abateu também um acampamento de verão de meninas, à política de cortes do governo. A oposição clama por investigações, baseada nos indícios deixados na gestão dos danos.


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O escritório do NWS da região tinha apenas cinco funcionários de plantão na noite que a tempestade começou a se formar, no dia 3. Seis dos 27 cargos da agência em Austin-San Antonio, que inclui o condado de Kerr, devastado pela tragédia, estão vagos - entre eles, o de gerente responsável por emitir alertas e coordenar, com autoridades locais, a resposta em emergências.
O Serviço Nacional de Meteorologia perdeu cerca de 600 pessoas em todo o país, afetadas pelos cortes do Departamento de Eficiência Governamental (DOGE), que foi liderado pelo bilionário Elon Musk, nos primeiros meses deste segundo mandato do presidente americano. A agência reduziu o monitoramento meteorológico de rotina.
Balões para medir os riscos de tempestades foram cancelados em diversas regiões do país. Na Fema, que gasta US$ 45 bilhões por ano, para lidar com desastres e dar assistência às vítimas, a situação é parecida: mais de 30% dos funcionários foram demitidos ou aceitaram indenizações para sair.
O presidente nomeou recentemente um conselho encarregado de recomendar mudanças e, em última instância, desmantelar a Fema. Entre os incentivadores desta remodelação está o governador republicano do Texas, Greg Abbott.
Crítico fervoroso da agência, ele agora enfrenta a tragédia, beneficiando-se justamente do desbloqueio de verbas federais gerado pelo estado de emergência no condado de Kerr, ordenado pelo presidente.
Nesta terça-feira (8), Trump conquistou mais uma vitória na Justiça. A Suprema Corte permitiu que o governo prosseguisse com demissões em massa de cargos para remodelar e reduzir o governo federal. Até então, os cortes de funcionários federais estavam congelados em todo o país por um tribunal de primeira instância.
O presidente é exímio em suas cantilenas recorrentes. Uma delas visa comandar um governo enxuto e descentralizado. Ele argumenta que os estados devem assumir mais responsabilidade na resposta e na preparação para eventos climáticos extremos e outras catástrofes.
Outra preza o ataque sistemático às instituições científicas, que moldaram a identidade do país.

Por fim, manter o ex-presidente Joe Biden no papel de bode expiatório de mazelas e tragédias naturais — de enchentes a incêndios florestais — que afetam o país. Desta vez, porém, os efeitos do desastre atingiram o epicentro eleitoral de Trump.
