'Karatê Kid: Lendas' tem exagero de clichês e boas lutas
Sexto filme da série une Ralph Macchio e Jackie Chan, mas se salva principalmente graças à ótima escolha de Ben Wang como novo protagonista.

Em uma tentativa de unir as diferentes gerações de fãs (ou ao menos admiradores) da franquia que já conta com cinco filmes e uma série, "Karatê Kid: Lendas" meio que dá certo ao fazer uma montagem de clichês cansados dos anos 1980, momentos "good vibes" e boas lutas.
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O sexto filme estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (8) com um encontro entre o "kid" original, o agora sexagenário Ralph Macchio, e o lendário artista marcial Jackie Chan (do recomeço um tanto equivocado de 2010).
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Mesmo com os dois astros, o acerto mesmo é a escalação do carismático Ben Wang (da subestimada "American born chinese").
O novo protagonista, mais do que convencer nas muito bem coreografadas cenas de lutas, é o grande responsável por sustentar os momentos mais sentimentais – alguns chamariam de piegas – tirados diretamente da cartilha de chavões dos anos 1980.


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"Lendas" ainda costura bem a trapalhada do filme de 2010, que levava a história para China e para o kung fu, sem qualquer menção à arte marcial japonesa do título.
Com direito a uma merecida homenagem (feita provavelmente com uma infeliz dose de inteligência artificial) a Pat Morita (1932-2005), o senhor Miyagi dos quatro primeiros, o roteiro de Rob Lieber ("Goosebumps 2: Halloween Assombrado") consegue amarrar as duas narrativas e dar algum sentido à mudança.
Nova cidade, novos amigos, novo vilão e um agiota
Você com certeza já viu (alguma versão d)a história contada pelo novo "Karatê Kid" – em especial se curte os primeiros filmes ou "Cobra Kai", série encerrada em 2025 após seis temporadas cujo sucesso com certeza é responsável pela existência de "Lendas".
Na trama, Wang interpreta um jovem chinês estudante de kung fu que muda com a mãe para Nova York após a morte do irmão mais velho.
No novo país, ele se vê dividido entre a promessa de não se envolver mais em lutas, novas amizades que devem uma boa quantia para agiotas perigosos e um valentão (Aramis Knight) especialista em, isso mesmo, karatê.
As incongruências e exageros – o agiota obviamente é o sensei do antagonista, pois danem-se você e suas perguntas – seriam apenas idiotas se o filme, com uma certa boa vontade do espectador, não brincasse com ecos dos clichês da década em que a série foi lançada.

Afinal de contas, é necessário ser honesto e admitir que o primeiro "Karatê Kid" (1984) não é esse clássico irretocável que habita as memórias embriagadas de saudosismo da Sessão da Tarde de grande parte do público.
A primeira "trilogia", estrelada por Macchio, se salva graças ao carisma de Morita, à sua química com o jovem ator e a uma "vibe" gostosa de bem contra o mal e romance adolescente.
E tudo isso "Lendas" consegue com um tanto de elegância, apesar de uma narrativa tão fluida quanto as cenas automatizadas de um video game – por causa principalmente de Wang e de um bom elenco de coadjuvantes, que ainda tem Joshua Jackson ("Dawson's Creek") e Ming-Na Wen ("Agents of Shield").
A verdade é que um novo "Karatê Kid" era inevitável. Em especial, depois de 15 anos da última tentativa e do sucesso (questionável) de "Cobra Kai".

"Lendas" não é um clássico. Provavelmente não chega nem a ser verdadeiramente "bom". Mas é, sem dúvidas, o melhor que poderíamos ter – e planta uma semente promissora o suficiente para o futuro.

