Casos de câncer colorretal no Brasil devem aumentar 21% nos próximos 15 anos
Levantamento destaca que o aumento está diretamente relacionado ao envelhecimento da população, aos baixos índices de adesão a hábitos saudáveis e à ausência de um programa estruturado de rastreamento da doença

O número de novos casos de câncer colorretal no Brasil deve crescer 21% entre 2030 e 2040, de acordo com um estudo inédito da Fundação do Câncer, divulgado nesta quinta-feira (27).
Tudo em um só lugar.
Receba notícias da GazetaWeb no seu WhatsApp e fique por dentro de tudo!

O levantamento destaca que o aumento está diretamente relacionado ao envelhecimento da população, aos baixos índices de adesão a hábitos saudáveis e à ausência de um programa estruturado de rastreamento da doença.
Leia também
Atualmente, o Brasil não conta com um protocolo nacional para a detecção precoce do câncer colorretal. Em países como Estados Unidos e na Europa, recomenda-se que a colonoscopia seja realizada a cada dez anos a partir dos 50 anos de idade em pessoas assintomáticas.
Segundo o epidemiologista Alfredo Scaff, consultor médico da Fundação do Câncer e coordenador do estudo, um sistema organizado de rastreamento poderia reduzir significativamente a mortalidade da doença no país.


Servidores cobram da PF apuração sobre perdas de recurso do Iprev Maceió

Governo inaugura ponte na zona rural de São José da Tapera

Renan Filho volta a defender projeto coletivo e união de forças para futura chapa

Em discurso, senador Renan critica gestão anterior à do filho no governo de Alagoas
Faixa etária de risco e números por região
Os dados do estudo indicam que a maior parte dos casos continuará concentrada em pessoas com mais de 50 anos. Em 2040, estima-se que 88% das ocorrências serão registradas nessa faixa etária, enquanto a incidência entre indivíduos abaixo de 49 anos deve permanecer relativamente estável.
A análise também aponta diferenças regionais no crescimento do número de casos. As regiões Centro-Oeste (32,7%) e Norte (31,13%) apresentarão os maiores aumentos percentuais entre 2030 e 2040.
Apesar do menor crescimento percentual (18%), o Sudeste seguirá como a região com o maior volume absoluto de casos, com projeção de 38.210 novos diagnósticos em 2040.
Desafios para prevenção e rastreamento
A ausência de um programa estruturado de rastreamento populacional é um dos principais desafios para conter o avanço do câncer colorretal no Brasil.
Segundo o estudo, exames como colonoscopia e pesquisa de sangue oculto nas fezes são essenciais para o diagnóstico precoce e a redução da mortalidade. Entretanto, barreiras como infraestrutura inadequada, dificuldade de acesso e baixa conscientização da população dificultam a implementação de um sistema de rastreamento eficaz.
Para evitar o agravamento das projeções, o estudo destaca a necessidade de adaptação das estratégias de prevenção e rastreamento de acordo com as realidades regionais do país.
"As informações evidenciam a necessidade de políticas regionalizadas, permitindo a ampliação de programas de rastreamento e promovendo a prevenção da doença", reforça Scaff.
Os fatores de risco e como prevenir
O câncer colorretal é um tipo de tumor que afeta o cólon e o reto, partes do intestino que desempenham um papel importante na absorção da água, dos sais minerais e na formação das fezes. É uma doença que pode ser prevenida, tratada e muitas vezes curada, se detectada em estágios iniciais.
Os especialistas explicam que, apesar de ter relação com fatores hereditários em alguns casos, existem ações que podem ajudar a prevenir esse tipo de câncer, como:
manter uma alimentação saudável
fazer atividade física regularmente
evitar o consumo excessivo de carne processada
manter um peso saudável
não fumar
"Investir em políticas públicas que garantam acesso ao rastreamento e tratamento adequado é essencial, mas também precisamos atuar na prevenção, incentivando mudanças de hábitos e educando a população sobre os fatores de risco", conclui Luiz Augusto Maltoni, diretor executivo da Fundação do Câncer.
