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Ilha no ES celebra Ano Novo uma hora antes da maior parte do país

Arquipélago capixaba de Trindade fica a 1.140 quilômetros de Vitória, no Espírito Santo


				Ilha no ES celebra Ano Novo uma hora antes da maior parte do país
Ilha no ES celebra Ano Novo uma hora antes da maior parte do país. Divulgação/Marinha do Brasil

Quando a contagem regressiva para o Ano Novo começar no horário de Brasília, numa ilha em Espírito Santo, o ano de 2025 já vai ter chegado há uma hora.

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Isso acontece porque o arquipélago de Trindade é a ilha brasileira mais distante do continente, localizada a 1.140 quilômetros da costa capixaba, bem no meio do Atlântico Sul. Por lá, o fuso horário está à frente da hora oficial, assim como em Fernando de Noronha.

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O Brasil possui quatro fusos horários. A ilha se encaixa no primeiro deles, que é válido para o arquipélago Fernando de Noronha e outras ilhas atlânticas e é adiantado em uma hora em relação a Brasília.

Para chegar a ilha, são de quatro a cinco dias de navegação e o desembarque é feito de bote ou de helicóptero.

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No local, existe um posto avançado que é de responsabilidade da Marinha, além de uma estação científica e um posto militar.

A Ilha da Trindade é considerada um tesouro para pesquisadores, já que é um território de formação vulcânica repleto de descobertas científicas com seres que só habitam a região, e também é berço de desova de tartarugas.

Segundo o capixaba João Luiz Rosetti Gasparini, biólogo e especialista em peixes, o Arquipélago Martin Vaz tem todo um mundo a ser explorado.

"O complexo insular oceânico é um éden para pesquisas. Lar de muitas espécies endêmicas e pode guardar não só peixes, mas crustáceos, moluscos, esponjas, algas... Uma imensidão de seres marinhos e mesmo terrestres nas escarpas da ilha e em sua floresta de samambaias gigantes", disse o pesquisador.

Fuso horário

Em entrevista ao g1, a mestra em geotecnia e professora da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) Fabrícia Benda de Oliveira explicou que na ilha o Ano Novo chega "antecipadamente" por causa do fuso horário UTC-2.

"Esse fuso horário é o responsável por fazer com que a Ilha da Trindade seja o primeiro local do território brasileiro a entrar no Ano Novo", explica Fabrícia.

Ao todo, o Brasil tem quatro fusos horários:

O primeiro, válido para o arquipélago Fernando de Noronha e outras ilhas atlânticas, é adiantado em uma hora em relação a Brasília.

O segundo inclui a capital federal, todo o litoral brasileiro e os estados interiores que não estão incluídos em outros fusos.

O terceiro, o Horário da Amazônia, tem uma hora de atraso em relação a Brasília. Ele abrange o Amazonas (exceto ao sudoeste), Roraima, Rondônia, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

E o quarto e último fuso, o Horário do Acre, abrange o sudoeste do estado do Amazonas e o Acre.

Horário de verão

A diferença de horário também acontece porque não temos, atualmente, o horário de verão em vigência no Brasil. Em 2024, chegou a ser discutida uma possível volta desse horário. Mas ele não foi aprovado pelo governo.

Se o horário de verão voltar, a diferença de horários entre o arquipélago e o restante do Brasil pode deixar de existir. Isso porque, como no horário de verão os relógios que seguem Brasília são adiantados em uma hora, a diferença com Trindade deixaria de existir nesse período.

"Durante o horário de verão, quando ele está ativo no Brasil, a diferença pode se reduzir ou desaparecer. Mas, atualmente, sem o horário de verão, a ilha permanece consistentemente à frente do continente", disse a professora.

Rochas de plástico e novas espécies

Recentemente, a Ilha da Trindade repercutiu nacionalmente com duas grandes descobertas: a de uma nova espécie de peixe e a de que rochas de plástico estão sendo formadas com resíduos de rede de pesca.

Em fevereiro de 2023, pesquisadores descobriram que rochas estão sendo formadas por plásticos. No estudo inédito no Brasil feito pela doutoranda do programa de pós-graduação em Geologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Fernanda Avelar, foi revelado que o que estava atrelado às rochas era plástico, mais especificamente corda de pesca.

O material é formado por pedaços jogados no mar, que são levados até a ilha pela ação das correntes marítimas.

A pesquisadora acredita que a descoberta serve de alerta para possíveis consequências graves para o meio ambiente, principalmente por causa da importância da ilha para o ecossistema, não só de tartaruga-verde, que é a única espécie que se reproduz nas ilhas oceânicas brasileiras, mas de diversas aves que se reproduzem no local.

Em julho de 2023, pesquisadores da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e da Universidade de São Paulo (USP) descobriram o Acyrtus simon.

Ele é uma espécie de peixe-ventosa que chamou a atenção pelas cores em tons de rosa e seu hábito de se fixar nos locais para não ser levado pela correnteza.

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