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Preso denuncia tentativa de extorsão de R$ 600 mil para conseguir laudo médico em hospital

Segundo investigação da Corregedoria da Seap, pelo menos três policiais penais e outras cinco pessoas participaram.


				Preso denuncia tentativa de extorsão de R$ 600 mil para conseguir laudo médico em hospital
Reprodução/TV Globo

Um homem preso no sistema penitenciário do Rio denunciou que estava sendo coagido e pressionado a pagar propina para conseguir um laudo médico e ser beneficiado com prisão domiciliar. Os pedidos, segundo ele, chegaram a R$ 600 mil.

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“Abutres que só querem tirar proveito. Estou sendo coagido a todo momento".

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As frases são de Cleiton Oliveira Meneguit, que está preso no Complexo de Gericinó, e fazem parte das cartas enviadas por ele à Justiça.

A correspondência, a que o RJ2 teve acesso, foi a forma que o detento encontrou para fazer chegar ao sistema judiciário a denúncia.

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Os acusados da extorsão são funcionários do alto escalão do Hospital Penal Hamilton Agostinho, unidade que fica dentro do complexo prisional.

Cleiton é obeso e precisou fazer uma cirurgia para reduzir o estômago e reduzir a vesícula. O laudo daria o direito de prisão domiciliar, para ele se recuperar em casa por quatro meses.

Ele contou que, enquanto se recuperava da cirurgia, foi retirado da cela duas vezes para tratar dos pedidos.

Depois das cartas, a Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) determinou a abertura de uma investigação. A denúncia foi feita no final de novembro.

"Anteriormente já tínhamos algumas denúncias anônimas. Entretanto, essa denúncia chegou diretamente ao gabinete da secretária pedindo auxílio para ajudar esse privado de liberdade", disse a secretária Maria Rosa Nebel.

Depois de passar pelas cirurgias, o detento agora se recupera em uma outra unidade de saúde dentro de Bangu. A defesa dele ainda tenta conseguir a prisão domiciliar judicialmente.

Transferências e ameaças

O detento contou, em depoimento, que antes do episódio de extorsão, ele já vinha sendo coagido e obrigado a pagar quantias para um grupo de funcionários.

As transferências bancárias foram enviadas à Corregedoria para comprovar os pagamentos. A vítima denunciou que havia uma organização criminosa, formada por policiais penais, atuando dentro da prisão.

O relatório produzido pela Corregedoria da Seap narra que, segundo o denunciante, o grupo era formado pelo então diretor do hospital, Thiago Franco Lopes, o subdiretor, Aleksandro Dos Santos Rosa, e o chefe de segurança da unidade, Marcio Santos Ferreira.

Os três foram exonerados das funções. As dispensas foram publicadas no boletim interno da Seap na última quarta-feira (4). Também são acusados de participar do esquema um médico, um enfermeiro, um nutricionista e dois advogados.

O relatório da Seap foi enviado ao Ministério Público na última terça-feira (3). Além dos servidores, os advogados e profissionais de saúde serão investigados.

Visita inesperada

Em depoimento, o detento contou que os advogados foram até a casa dele "com o intuito de intimidar psicologicamente" a sua companheira.

A visita inesperada foi registrada pelo circuito interno da casa. No vídeo, os advogados Mônica Carvalho e Tarcísio Ayres aparecem sentados à mesa.

Três dias depois, eles estiveram em Bangu. O registro da visita faz parte da investigação. Segundo o relatório, os advogados conversam com o interno que denunciou a extorsão.

O encontro chamou atenção da Corregedoria porque eles não eram advogados do preso, e não informaram que pretendiam fazer a visita.

Após alguns minutos, se junta à conversa o subdiretor Aleksander dos Santos. Ele segura um papel nas mãos. Segundo a investigação da Seap, o papel poderia ser o laudo médico que o grupo tentava vender.

Um dia antes de visitar o detento, a dupla passou, segundo a investigação, 45 minutos no andar em que fica o gabinete do diretor. A visita também foi registrada pelas câmeras.

"[Esse caso] muito nos indigna, em razão de que a grande maioria dos nossos profissionais não coaduna com essa prática. E isso nos entristece, mas ao mesmo tempo nos fortalece. Porque não vamos deixar de apurar, de investigar e de punir", afirmou a secretária.

O que dizem os citados

O ex-diretor do hospital, Thiago Franco Lopes, disse que nunca ouviu falar de esquema nenhum de laudos. Falou que era diretor da unidade há 3 anos e que espera que a investigação mostre que nada de irregular foi feito.

Segundo Thiago Franco, o preso não foi beneficiado por nada e tudo não passa de uma guerra política dentro da Seap.

A Fundação Saúde disse que, ao tomar conhecimento da investigação, determinou à empresa que presta serviço para a unidade o afastamento imediato dos três profissionais suspeitos, citados na sindicância.

Procurados, os advogados Mônica Carvalho e Tarcísio Ayres não responderam.

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