19 minutos perdidos: polícia não conseguiu monitorar atirador em comício de Trump
Autoridades investigam rastros de Thomas Matthew Crooks; motivação ainda não está clara

Thomas Matthew Crooks visitou o local do comício de Donald Trump duas vezes, seu celular continha imagens de Trump e do presidente Joe Biden, e o histórico de busca do suposto assassino incluía datas da Convenção Nacional Democrata, bem como eventos futuros de Trump, disseram três autoridades dos Estados Unidos à CNN.
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Os novos detalhes revelaram mais sobre o que Crooks estava fazendo nos dias e horas que antecederam sua tentativa de assassinar o ex-presidente. Mas os investigadores que vasculham o rastro físico e digital de Crooks ainda precisam do detalhe chave que explicaria porque é que o jovem de 20 anos subiu em um telhado em Butler, Pensilvânia, com um fuzil: um motivo.
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Crooks também fez pesquisas online sobre transtorno de depressão grave, disseram funcionários do governo ao Congresso durante reuniões na quarta-feira (17).
A diretora do serviço secreto, Kimberly Cheatle, o diretor do FBI, Chris Wray, e o vice-diretor do FBI, Paul Abbate, informaram a Câmara e o Senado por telefone na quarta-feira sobre o que as autoridades policiais aprenderam até agora sobre o ataque a tiros no comício de Trump.


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As autoridades disseram que ainda não há um motivo claro para a tentativa de assassinato, segundo os congressistas. Abbate disse nos briefings que o departamento não encontrou informações políticas ou ideológicas sobre o suspeito na casa do atirador.
Os congressistas nas ligações disseram à CNN que o Serviço Secreto e funcionários do FBI forneceram novos detalhes sobre o estado mental e as ações de Crooks antes de ele atirar em Trump no sábado (13), embora muitos expressassem insatisfação com o que lhes foi dito para explicar como Crooks foi capaz de disparar vários tiros contra Trump.
Duas fontes presentes na teleconferência também disseram que os informantes disseram aos congressistas que o atirador visitou o local do comício duas vezes após o anúncio do comício de Butler, inclusive no dia do ataque. Com base nos dados do celular, estimou-se que o atirador ficou no local por 70 minutos.
Fontes policiais informadas sobre a investigação disseram à CNN que, além das fotos de Trump e Biden, o telefone do atirador também continha fotos de líderes do Congresso, como o presidente da Câmara, Mike Johnson, e o líder da minoria na Câmara, Hakeem Jeffries.
Também houve fotos de outros políticos de todo o espectro político, incluindo Rudy Giuliani, o ex-advogado de Trump envolvido no esforço para anular as eleições presidenciais de 2020, e Fani Willis, a promotora distrital do condado de Fulton que está processando Trump e Giuliani.
Quase todas as fotos pareciam ter sido baixadas da internet e não eram acompanhadas de linguagem ou mensagens ameaçadoras. Fontes informadas sobre a investigação disseram à CNN que o telefone também mostrava pesquisas em busca de datas e locais dos comícios de Trump e de informações sobre as duas convenções políticas.
Autoridades norte-americanas disseram que o significado das fotos, bem como das buscas pelas convenções e eventos de Trump, não está claro.
Wray anunciou nos briefings que o FBI conduziu mais de 200 entrevistas até o momento e prometeu não deixar “pedra sobre pedra” na investigação, disse um legislador.
No começo desta quinta-feira (18), a CNN, citando uma fonte familiarizada com o assunto, informou que Crooks postou: “13 de julho será minha estreia, observe o desenrolar”. O FBI disse aos senadores na quarta-feira que acreditava que a conta realmente pertencia a Crooks, disse a fonte familiarizada com o briefing.
No entanto, um funcionário dos EUA informado sobre o assunto disse mais tarde à CNN que os investigadores acreditam que a conta em seu nome é falsa.
Quando Crooks foi avistado e onde
O senador Mike Lee, um republicano de Utah, escreveu nas redes sociais que as autoridades policiais “identificaram o atirador como ‘suspeito’ 19 minutos antes dos disparos”.
Uma fonte disse à CNN que cerca de 19 minutos antes do ataque, as autoridades estavam tentando localizar o atirador, mas não conseguiram encontrá-lo até que ele estivesse no telhado.
A polícia respondeu a um chamado de um “homem suspeito” no mesmo horário em que Trump chegou para seu comício na Pensilvânia no sábado, de acordo com o gerente do município de Butler, Tom Knights.
Knights disse em um comunicado na quarta-feira que a denúncia do homem suspeito dizia que ele estava perto do do prédio da AGR, onde o suposto assassino de Trump finalmente lançou seu ataque.
Do telhado do prédio, que ficava a cerca de 150 metros ao norte do palco do comício, Crooks disparou vários tiros contra Trump, acertando-o de raspão na orelha e atingindo vários participantes do comício, incluindo um que foi morto. Agentes do Serviço Secreto mataram Crooks depois que ele abriu fogo.
Os policiais inicialmente não localizaram a pessoa ao redor do prédio, de acordo com o comunicado de Knights. Ele disse que um policial tentou acessar o telhado com a ajuda de um colega que tentou içá-lo. O policial que escalou a lateral do prédio viu um indivíduo no telhado apontando um rifle para ele, disse Knights.
“O policial estava em uma posição indefesa e não havia como atacar o ator enquanto se segurava na beirada do telhado. O oficial se soltou e caiu no chão”, disse Knights.
A polícia de Butler comunicou “imediatamente” a localização do indivíduo e compartilhou que ele tinha uma arma, mas “momentos depois, o indivíduo começou a atirar”, de acordo com o comunicado.
