Saiba quem foi Chica da Silva, citada por Zambelli contra Benedita em Maceió
Referência a uma mulher que foi escravizada, feita durante o G20 para se direcionar à petista, é apontada como racismo

A deputada federal Carla Zambelli (PL) chamou a também deputada Benedita da Silva (PT) de "Chica da Silva" ao se queixar de não ter sido autorizada a discursar na primeira reunião de mulheres parlamentares dos países que integram o G-20, evento realizado nesta semana, em Maceió. A referência a uma mulher que foi escravizada para se direcionar à petista é citada pelo PT como racismo.
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De acordo com pesquisas da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), Francisca da Silva, conhecida popularmente por Chica da Silva, foi filha de uma mulher negra escravizada e de um português, nascida entre 1731 e 1735 (data incerta) na região de mineração de diamantes do arraial do Tejuco, hoje a cidade mineira de Diamantina.
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Chica foi comprada e alforriada pelo contratador de diamantes João Fernandes de Oliveira, com quem viveu 16 anos e teve 13 filhos. Devido à sua ascensão social, ela se tornou uma das mulheres negras mais importantes da sociedade colonial de Minas Gerais do século 18.
Ainda segundo as pesquisas, a história de Chica da Silva é envolta em uma série de mitos e preconceitos frutos do racismo da sociedade brasileira, que procurava desqualificar uma mulher negra que ascendeu socialmente e foi uma das mais ricas de sua época.


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A história de Chica ganhou muitas versões e até mereceu versos de Cecília Meireles em seu Romanceiro da Inconfidência: “Contemplai, branquinhas/ na sua varanda,/ a Chica da Silva,/ a Chica-que-manda”.
Em 1976, com roteiro de João Felício dos Santos, o cineasta Cacá Diegues inventou Xica da Silva. “No filme, a redenção é alcançada por meio de Xica: ao colocar a sexualidade a seu favor, ela inverte o mecanismo por meio do qual os homens brancos garantiram a dominação sobre sua raça, ao utilizar as mulheres de cor para satisfazer seu apetite sexual”, afirma a pesquisadora Júnia Furtado, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
A personagem foi a primeira protagonista da atriz Taís Araújo, em uma novela veiculada em 1996. A trama foi um remake do filme de 1976, no qual Zezé Motta interpretou a ex-escravizada.
