Semana Alagoana do Teatro tem apresentações gratuitas de peças e shows
Programação celebra a atriz alagoana Linda Mascarenhas e as artes cênicas do Estado

A música de espera está tocando e a plateia aguarda o terceiro sinal. O espetáculo vai começar. — Neste clima ritualístico, atores, atrizes e o público apaixonado pelas artes cênicas recebem mais uma Semana Alagoana do Teatro, entre os dias 13 e 17 de maio, com uma programação gratuita nos Teatros Deodoro e De Arena, em Maceió. O evento celebra Linda Mascarenhas, a dama do teatro alagoano.
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Com horários diversos e atrações para todas as faixas etárias, a ação inclui apresentações musicais a peças teatrais. A realização é do governo de Alagoas, por meio da Secretaria de Estado da Cultura e Economia Criativa de Alagoas (Secult-AL).
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No dia 14, Dia Alagoano do Teatro, haverá a reinauguração do Café da Linda, espaço que leva o nome da homenageada, com um pocket show de Ítallo França e Lucas Bezerra, às 18h30.

Os ingressos para todos os espetáculos são liberados pela plataforma Sympla. Um link direto pode ser consultado na bio do perfil da Diretoria de Teatros do Estado de Alagoas (Diteal) no Instagram: @TeatroDeodoro.


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“DIA DAQUELES QUE NÃO ABANDONAM O TEATRO”

O ator, dramaturgo, escritor e professor de teatro Ronaldo de Andrade, que é presidente da Associação Teatral das Alagoas (ATA) e figura simbólica da cena local, afirma, em entrevista recente à Gazeta de Alagoas, que o teatro alagoano segue sobrevivendo, sem que exista uma “cultura teatral”. Uma das causas disso, analisa, é o endurecimento das pessoas.
“É muito mais difícil, ultimamente, olhar para uma pessoa e se comover. Ver imagens impressas, em vídeo e, principalmente, através das telas, tem surtido mais efeito nas pessoas. Ou seja, as pessoas têm se comovido muito mais com o artificial do que com o real”, detalha Andrade, que recentemente completou 50 anos de carreira teatral.
“E quando eu falo de cultura teatral, falo de consumir o que é produzido aqui, participar da cena local. Muitas vezes as pessoas são levadas ao teatro para ver o ator de cinema, de televisão, a apresentação plástica da convocação. Esse tipo de público sempre existiu, ele é irrelevante. O público de teatro muitas vezes não tem cultura teatral. Falta cultura teatral, falta ler mais, falta um público que se interesse pelo que está por trás da cena, falta espaço crítico”, aponta.

Apesar dos esforços constantes para formar e renovar a plateia teatral no Estado, o veterano afirma não ver resultados significativos. “Essas ações nunca dão resultado. O Teatro Deodoro é o Maior Barto é o grande símbolo desse esforço e segue sendo muitíssimo importante, mas não vejo resultado efetivo. Entre muitas coisas, acho que nos falta um diálogo, falta essa investigação da identidade. Muitas vezes, produzimos coisas muito distantes da nossa realidade. Muitos atores e atrizes acham que tem conexão com isso ou aquilo, fantasiam conexão com Alagoas. Acham que tem, mas muitas vezes não há relação nenhuma. Então, como o público vai se identificar?”, questiona Ronaldo de Andrade.
O Dia Alagoano do Teatro rememora o nascimento de Linda Mascarenhas. A atriz alagoana nasceu em 14 de maio de 1895, no bairro Levada, em Maceió. Com a colaboração da ala jovem do Clube de Regatas Brasil (CRB), de Luiz Lavenére e de jovens da sociedade maceioense, Linda fundou, em 12 de outubro de 1955, a Associação Teatral das Alagoas (ATA) e foi aclamada presidente perpétua. Na ATA ela deu continuidade a seus trabalhos de diretora de cena, dramaturga e estreou como atriz.

“Independente das questões e desafios que são inerentes ao nosso ofício hoje, no Dia Alagoano do Teatro lembramos Linda Mascarenhas e como ela foi revolucionária. Segue sendo uma inspiração para as novas gerações. Linda começou a ser atriz com quase 60 anos, apesar de já ter uma carreira longa como diretora de teatro. Uma mulher baixinha, sem os atributos de beleza que a época exigia, pois era um tempo em que se procurava a beleza da atriz para fazer os grandes papéis. Ela tinha que se valer e se valeu do seu esforço e trabalho. É um dia para celebrar aqueles que, assim como ela não abandonam o teatro por nada”, continua o teatrólogo, que era amigo de Linda.
“Ela era uma mulher liderando um movimento de teatro, num momento em que só homens dominavam o teatro. As mulheres que faziam teatro não eram bem aceitas. Então, temos que comemorar, neste Mês do Teatro, a persistência de quem faz teatro. Eu vou fazer teatro até quando meu corpo aguentar. Viva os contemporâneos e viva aos que passaram”, finaliza Ronaldo de Andrade.
Confira a programação completa:
13 de maio
Teatro Deodoro
- 14h - Uma Aventura Congelante (Livre)
14 de maio
Teatro Deodoro
- 20h30 - Ensaio sobre o abraço, do Teatro da Poesia (14 anos)
Teatro de Arena Sérgio Cardoso
- 19h - Blindagem Mística (12 anos)
Café da Linda
- 18h30 - Pocket show de Ítallo França e Lucas Bezerra (Livre)
15 de maio
Teatro Deodoro
- Jangadeiros Alagoanos - Uma aventura além do mar (Livre)
16 de maio
Teatro Deodoro
- 14h - Folguedo das Alagoas - Teatro de bonecos (Livre)
Teatro de Arena Sérgio Cardoso
- 19h - Show Djavaniano (Livre)
17 de maio
Teatro de Arena Sérgio Cardoso
- 9h - O Alienista - Casa de Loucos (Livre)
