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Morre Paulo César Pereio, nome histórico do cinema brasileiro

Ator tinha 83 anos e vivia, desde 2020, no Retiro dos Artistas; ele estava internado


				Morre Paulo César Pereio, nome histórico do cinema brasileiro
Reprodução/GloboNews

O ator Paulo César Pereio morreu na tarde deste domingo (12), no Rio de Janeiro. Ele tinha 83 anos. A informação foi confirmada pelo Hospital Casa São Bernardo, onde ele estava internado.

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De acordo com a unidade de saúde, o ator estava em tratamento de uma doença hepática avançada e foi levado ao hospital durante a madrugada, já em estado grave.

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Paulo César Pereio nasceu em Alegrete, no Rio Grande do Sul, em 19 de outubro de 1940. Tem trabalhos marcantes na TV, teatro e no cinema, onde atuou em mais de 60 filmes. Trabalhou em filmes de cineastas importantes do cinema brasileiro como Glauber Rocha, Hector Babenco, Arnaldo Jabor, Hugo Carvana e Ruy Guerra.

Citando alguns trabalhos, Pereio atuou em “Terra em transe”, de Glauber Rocha. Com Arnaldo Jabor, esteve em “Toda Nudez Será Castigada”, filme baseado na peça de Nelson Rodrigues, e “Eu te amo”.

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				Morre Paulo César Pereio, nome histórico do cinema brasileiro
Reprodução/TV Globo

O ator estava no elenco de Roda Viva, peça de Chico Buarque encenada por Zé Celso Martinez Corrêa no fim dos anos 1960.

O ator foi casado 3 vezes e teve 4 filhos, dois deles com a atriz Cissa Guimarães.

Em entrevista ao jornalista Geneton Moraes Neto, o artista afirmou que construiu a própria imagem pública de pessoa controversa.

"Construo este mito, para ser pouco incomodado. É uma espécie de self-art. Pereio, na terceira pessoa, é obra minha. Posso ser considerado no Brasil uma celebridade. As pessoas me reconhecem na rua. Mas posso me dar ao direito de sair sozinho por aí, subir morro, andar na banda podre e na baixa sociedade, tranquilamente. Sei como não ser vítima disso. Conheço atores brasileiros que têm de fingir que são outra pessoa para sair na rua”, destacou o ator.

Sobre a convivência com Nelson Rodrigues, ele reunia histórias.

"Às vezes, Nelson ia ao meu camarim para fumar e tomar cafezinho escondido, porque tinha uma médica não deixava. Mas ela não podia entrar nos camarins e ele podia. Aí ele ia no meu camarim e dizia barbaridades assim: ‘Pereio, todo canalha é magro!’. Respondi: ‘Isso é arbitrário!’. E ele: ‘Em 97% das vezes em que sou arbitrário, eu estou certo’. Ele deu 3% de gorjeta”, disse Pereio.


				Morre Paulo César Pereio, nome histórico do cinema brasileiro
Reprodução/TV Globo

Pereio afirmou que, ao longo do tempo, se transformou em uma mais tranquila e equilibrada. Principalmente após os 60 anos.

"Não me lembro de ter sido tão equilibrado. O desequilíbrio sempre produz certa ansiedade. Tenho momentos de calmaria que são muito bons. Baboseiras de que “minha infância foi uma coisa muito boa”. A juventude só é boa porque a gente tem tesão e não brochou. Mas serenidade, tranquilidade e a ideia de momentos felizes passei a ter depois dos sessenta anos. E tenho melhorado! Tenho muito orgulho de ter saúde, apesar de tudo o que fiz”, afirmou.

No documentário "Tá rindo de quê?", sobre o humor na ditadura militar, Pereio falou sobre a dificuldade do ator para driblar a censura.

"Eu improvisava muito. Eu vou improvisar? Tem que dizer um texto enviado para a censura, carimbado, e tem que ser aquele texto. E qualquer improviso será castigado", disse Pereio.

Entre os trabalhos na televisão, Pereio atuou em "Partido Alto", "Roque Santeiro", "Mandala", o "Salvador da Pátria", "A Viagem" e "Duas Caras", entre vários outros trabalhos.

Conhecido pela voz grave, Pereio fez muitos trabalhos na publicidade.

"É um trabalho que eu levo muito a sério e considero tão artístico como qualquer outro. De vez em quando, os publicitários fazem obras de arte em 30 segundos. E acho que a publicidade influencia a linguagem de cinema e televisão", disse Pereio em entrevista ao programa TV Mulher, em 1981.


				Morre Paulo César Pereio, nome histórico do cinema brasileiro
Reprodução/TV Globo

Pereio vivia no Retiro dos Artistas desde 2020, no começo da pandemia de Covid-19. Em entrevista ao Jornal Extra, ele disse que buscou a entidade para se sentir protegido.

"Estou aqui desde o começo da pandemia, dessa crise do coronavírus. Achei que vir para cá seria uma maneira de me salvar. Vim para sobreviver. Eu moro em São Paulo, tenho meu apartamento lá. Não teve outro jeito. Mas estou bem de saúde. Nunca na minha vida trabalhei por dinheiro. Trabalhei bastante e nunca fiquei nem estou na penúria. O fato de eu estar aqui pode dar a ideia de que o cara está retirado, mas não estou. Ando aqui com uma tranquilidade absoluta, o que eu não poderia fazer na rua. Aqui tenho comida, sou bem cuidado e estou protegido", afirmou Pereio.

A atriz Zezé Motta lembrou o legado de Pereio.

"Perdemos um ícone do nosso cinema. Descansa meu amado Pereio. Quantos trabalhos icônicos e marcantes na TV, teatro e no cinema. Paulo César Pereio era residente no Retiro dos Artistas. Foi muito bem cuidado e amado. Já deixa saudades", afirmou a atriz.

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