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Dia da literatura infantil: como é o universo literário dos pequenos

No dia da literatura infantil, entrevistamos quem escreve e conta histórias para crianças


				Dia da literatura infantil: como é o universo literário dos pequenos
Reprodução

Qual a importância de dedicar um gênero literário para quem ainda está aprendendo a ler; escritor e contadora de histórias de Alagoas contam suas experiências na véspera do Dia Nacional do Livro Infantil

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Quem nunca leu, ou, ao menos, assistiu uma adaptação para o desenho animado, cinema ou teatro de Pinóquio, O Mágico de Oz ou de Sítio do Picapau Amarelo? Para que esses espetáculos tenham acontecido, existiu um ponto em comum entre todos eles, que precede essas adaptações: a escrita de livros para um público pequeno - literalmente - e passageiro, as crianças.

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Amanhã, 18 de abril, é celebrado o Dia Nacional do Livro Infantil. A data foi escolhida por ser a mesma em que nasceu Monteiro Lobato que, embora não fosse um autor exclusivamente infantil, teve sua fama montada por essa pequena classe de leitores. Conhecido majoritariamente pelo fim da geração Y e começo da geração Z, Monteiro Lobato está marcado no imaginário popular devido à adaptação em série que costumava passar, de segunda à sexta, na TV Globo.

Os personagens da literatura infantil costumam ter características que cativam por se conectar a algum sentimento ou fase da vida, fazendo com que o leitor se veja ali, dentro da história. Como é o caso da Emília, de Sítio do Picapau Amarelo, que representa a nossa criança interior, repleta de curiosidade e imaginação. Outros personagens em que constatamos esse mesmo sentimento é em João e Maria, dos irmãos Grimm, que por pura curiosidade e amor aos doces - assim como toda criança tem - são pegos pela bruxa no meio da floresta.

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Histórias que abordam sentimentos de forma clara e objetiva, descrevem obstáculos pelos quais podemos passar no decorrer da vida, e inspiram forças para não desistir são apenas alguns dos motivos que justificam e explicam a importância desse gênero literário. É assim nas histórias de Dorothy em O Mágico de Oz, de Frank L Baum, obra adaptada para os mais diversos gêneros de apresentação, desde teatro até desenho animado. O primeiro livro do clássico traz personagens que estão em busca do que faltam neles: o Homem de Lata almeja um coração para ter sentimentos, o Leão, que na história é um covarde, deseja coragem para superar seus medos; o Espantalho quer um cérebro, fazendo da sua jornada uma busca pelo conhecimento; e Dorothy, a garotinha, só quer voltar para casa, onde se sentia segura.

LITERATURA INFANTIL BRASILEIRA E ALAGOANA

O Brasil possui certa deficiência em alguns gêneros literários e um deles é a literatura infantil. Recentemente, inclusive, o país perdeu um dos poucos grandes autores que contribuíram no cenário nacional. No dia 6 de abril de 2024, o criador de O Menino Maluquinho, Ziraldo, faleceu aos 91 anos de idade.

Atualmente, além de A Turma da Mônica ou Detetives do Prédio Azul, o país tem dificuldades para emplacar histórias fora de seus estados. Por outro lado, no âmbito local, existem autores determinados, prontos para desafiar o difícil mercado literário em um lugar onde a leitura costuma ser celebrada apenas em datas pontuais.

Um desses casos locais é o do professor Alberto Rostand Lanverly, presidente da Academia Alagoana de Letras (AAL), que já publicou sete livros infantis. Rostand possui uma forma curiosa de escrever a literatura dos pequenos, pois baseia os personagens de seus livros em cada um de seus netos: “São estórias que contei para cada um desde bem pequenos e que vão amadurecendo, e transformados em livro [...] ao transformá-las em protagonistas, não apenas as convido a ler, mas também as encorajo a explorar sua própria coragem e imaginação”.

OUTRAS FORMAS DE EXPLORAR A LITERATURA INFANTIL

Como nem todos possuem aptidão para a leitura, principalmente neste mundo contemporâneo onde manter a atenção fica cada vez mais difícil devido ao advento das redes sociais, outras formas de apresentar essas histórias acabam suprindo essa necessidade. Uma dessas formas é a contação de história, com fantasias de cor chamativa e tons especiais de fala para chamar a atenção da criançada, é uma das formas mais usadas em eventos literários.

A professora de teatro, atriz e contadora de histórias Paula Quintino trás essa abordagem com uma pitada diferente. Quintino conta histórias afro-alagoanas sempre ligadas às tradições negras de Alagoas, como o Maracatu Nação e o Mané do Rosário. “Essas histórias são baseadas em pesquisas do saber oral através de mestres da cultura popular”.

Ela defende que, seja lido ou apresentado, o público infantil tem que ser lembrado. “O dia 18 de abril está marcado no calendário por um objetivo puro e simples: não podemos nos esquecer da educação de nossas crianças, que serão o futuro da sociedade. O poder e a importância dos livros para o imaginário popular não pode e nem deve ser ignorado, assim como é preciso lembrar que não importa a idade, um bom livro é capaz de mudar o futuro de todos”.

*Sob supervisão da editoria de Cultura

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