Criança lê carta em sala de aula após ser vítima de bullying em escola
Menina chegou a pedir à mãe para alisar o cabelo após colegas de turma a chamarem de 'cabelo de bombril'

"Tenho orgulho da minha cor, do meu cabelo e do meu nariz", essa foi a resposta dada por Israelle, de apenas 8 anos, após ter sido vítima de bullying na escola onde estuda. A criança leu uma carta para seus colegas de turma onde afirma ser feliz e sentir orgulho de quem é.
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Aluna do 3º ano da Escola Municipal Baltazar de Mendonça, localizada no Jacintinho, em Maceió, Israelle chegou à sua casa, na sexta-feira (8), triste e pedindo para alisar o cabelo.
"A gente que é mãe percebe quando algo não está bem e perguntei para minha filha o que tinha acontecido. Ela me contou que três amiguinhos tinham a chamado de cabelo de bombril", contou a mãe, Thamara Santhiago.


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Thamara relata que, por diversas vezes, já ouviu relatos de outras mães, cujos filhos já foram vítimas de bullying, mas até então não havia acontecido com Israelle.
A relação de transparência e confiança entre mãe e filha foi fundamental para que ela se sentisse confortável de conversar com a mãe sobre a violência sofrida.
"Desde o tempo que a Israelle começou a falar, eu venho falando pra ela que a gente não pode ter segredo, que tudo que acontecer na vida dela, ela pode me contar", afirma.
Partiu de Thamara a ideia de escrever uma carta e pedir para que sua filha falasse na frente da turma como forma de conscientizá-los. "Pedi autorização da professora e falei que gostaria de gravar minha filha durante a leitura".
Sou uma menina chamada Israelle. Não tenho cabelo bombril, sou morena, tenho olhos pretos, estudiosa e sou muito feliz.
Na carta, a mãe destacou a existência e a importância da diversidade, e exaltou com orgulho as características da filha. Leia a carta na íntegra:

Procurada pela Gazetaweb, a diretoria da escola informou que está ciente do ocorrido e que trabalha periodicamente com projetos que visam evitar o bullying.
"Trabalhar com crianças é difícil, mas já vínhamos trabalhando com a conscientização dos alunos. E as crianças que cometeram o ato já foram identificadas e repreendidas pela professora no momento do acontecido", declarou.
Felizmente Israelle mudou de ideia sobre alisar seu cabelo, e, no dia seguinte à leitura da carta, recebeu diversos elogios de outros alunos. "Ela chegou muito feliz na terça-feira (12), contando que os amiguinhos falaram que o cabelo dela era lindo e perguntaram como ela fazia os penteados", afirmou a mãe.
Orgulhosa da iniciativa e da força da filha, Thamara ainda deixou um recado para os pais:
Eduquem seus filhos porque bullying não é brincadeira, é coisa séria. E para as crianças que sofrem: não se calem, não guardem para si.
