É costume se criar personagens na crônica policial, com o objetivo de se resguardar a priori o culpado para todos os crimes.
Na década de 1970 havia o “Fura Pacote”, um menor de 14 anos de idade a quem se atribuía vários crimes, principalmente roubo de carros em Maceió.
Aos 12 anos o “Fura Pacote” já sabia dirigir, mas quando começaram a questionar quem teria ensinando a ele a dirigir aí deram um jeito e mataram o “Fura Pacote”.
Imagine um menor carente, pobre de marré, marré, e sabendo dirigir feito filho de gente rica!
Obviamente, quem ensinou o “Fura Pacote” a dirigir também ensinou a roubar carros.
Recentemente tiveram mais dois personagens: o Marcos Capeta e o Sandrinho, e ambos apontados como “o cão do segundo livro” – e tudo fabricado.
O Sandrinho foi fuzilado com as mãos para o alto, se rendendo. Ele não poderia permanecer vivo, senão, poderia esclarecer de fato alguns crimes que não praticou, mas que levou a culpa.
E o Marcos Capeta também. O Marcos Capeta vivo era “um perigo”, mas não para a sociedade, e sim para as “autoridades” que lhe inventaram e protegiam em Paulo Afonso-BA.
Igual ao “Fura Pacote” e ao “Sandrinho”, o Marcos Capeta não poderia continuar vivo.
É inédito que, hoje, não se tenha ainda inventado um substituto do “Sandrinho” ou do Marcos Capeta.
E aí, não tem mais ninguém para levar a culpa. Será que está faltando imaginação na crônica policial?
E assim vamos assistindo cenas que, verdadeiramente, intrigam. Por exemplo:
-Assaltantes de bancos lisos, nem sequer a borrachinha que prende o dinheiro foi encontrada com eles.
- O bandido que matou o empresário na porta de uma clínica na Mangabeira foi preso. Mas o carro da vítima só foi localizado quase um mês depois e, ainda assim, por denúncia anônima.
Será que os assaltantes de bancos são mesmo assaltantes de bancos? Ou é necessário se inventar novos “Fura Pacote”, Sandrinho e Marcos Capeta para melhor enfeitar o maracá e assim disfarçar o toque desafinado?