Nobel vai para estudo que criou a vacina de RNA contra Covid
Estudo sobre modificações na base de nucleosídeos permitiu o desenvolvimento de vacinas de RNA mensageiro contra a covid-19
O Prêmio Nobel Medicina foi concedido nesta segunda-feira (2) aos cientistas Katalin Karikó e Drew Weissman por seus estudos que permitiram o desenvolvimento de vacinas eficazes contra a Covid-19.
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O prêmio, um dos mais prestigiados do mundo científico, deu a eles, além do reconhecimento, o valor de 11 milhões de coroas suecas (cerca de R$ 5 milhões).
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Karikó nasceu na Hungria em 1955 e se especializou em bioquímica. Ela trabalha na farmacêutica BioNTech e é professora da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos. Weissman também atua na Universidade da Pensilvânia. Natural dos EUA, ele estudou imunologia e microbiologia durante a formação.
Juntos, eles encontraram uma maneira de modificar o mRNA. A descoberta foi feita há mais de 15 anos e, com essa tecnologia, foi possível desenvolver as vacinas contra a Covid-19.


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“O Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina de 2023 foi atribuído a Katalin Karikó e Drew Weissman pelas suas descobertas sobre modificações de bases de nucleosídeos que permitiram o desenvolvimento de vacinas de mRNA eficazes contra a COVID-19”, afirmou o órgão.
Como a pesquisa de Karikó e Weissman ajudou na pandemia?
O primeiro ponto é entender como o mRNA funciona:
- Todas as células do nosso corpo carregam dentro do núcleo o genoma completo, o DNA.
- Nesse conjunto de cromossomos, estão "gravadas" as informações sobre nós que definem, além de nossas características físicas, a propensão para algumas doenças.
- O DNA não faz nada sozinho. Ele envia comandos às nossas células como que espalhando uma cópia de si. Essa "cópia" genética é o RNA mensageiro, ou mRNA.
- Esse material, então, sai do núcleo e viaja até os ribossomos, no citoplasma da célula. Essa estrutura lê o que está na "cópia" e fabrica uma proteína específica relacionada àquele comando.
Esse processo que acontece no nosso corpo é conhecido desde 1960 e, desde então, pesquisadores tentam descobrir como impedir que essas cópias enviem comandos para a produção de proteínas específicas. A pesquisa de Katalin Karikó e Drew Weissman foi um ponto de virada nessa questão.
Juntos, eles viram que algumas modificações básicas na estrutura do mRNA poderiam deixá-lo menos inflamatório. A descoberta, feita em 1997, foi usada para a criação da vacina contra a Covid-19.
Karikó conta que, durante sua pesquisa, enfrentou desafios como o ceticismo acadêmico, a despromoção no trabalho e a ameaça de deportação dos EUA, onde fazia a pesquisa.
O prêmio Nobel
No ano passado, o Nobel de Medicina do ano passado foi para o sueco Svante Paabo pela sequenciação do genoma do Neandertal, um parente extinto dos humanos atuais, e pela descoberta de um parente humano até então desconhecido, os denisovanos.
Outros vencedores anteriores incluem Alexander Fleming, que dividiu o prêmio de 1945 pela descoberta da penicilina, e Karl Landsteiner em 1930 pela descoberta dos grupos sanguíneos humanos.
Outros cinco nomes a serem premiados vão ser revelados nos próximos dias.
Na terça-feira (3) será revelado o Nobel de Física, seguido pelo prêmio de Química na quarta-feira e o Nobel de Literatura na quinta-feira. Na sexta-feira, será a vez do Nobel da Paz. O evento se encerra na próxima segunda-feira quando o Nobel divulgará o prêmio de Economia.
O rei da Suécia entregará os prêmios numa cerimônia em Estocolmo, no dia 10 de dezembro, aniversário da morte de Nobel.
