Esforço do governo, sociedade e empresas para viabilizar a reciclagem
Conheça as iniciativas Tampinha Legal e Plastitroque, que apostam no reaproveitamento de resíduos plásticos
Na terceira reportagem da série sobre Economia Circular, a Gazeta de Alagoas, o portal Gazetaweb e a rádio Mix FM apresentam mais uma iniciativa que tem ajudado não só a reduzir a quantidade de resíduos recicláveis lançados no meio ambiente, como a gerar renda com o que antes seria meramente descartado, fazendo com que toneladas de matéria-prima retornem ao ciclo produtivo.
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Trata-se do Tampinha Legal, projeto nacional criado em 2016, no Rio Grande do Sul, e que foi implantado em 2019 em Alagoas por meio do Instituto Amor 21, entidade dedicada a prestar assistência às pessoas com síndrome de Down e seus familiares. Com 60 caixas coletoras espalhadas em diversos pontos da cidade, como empresas, supermercados e shopping centers, o projeto arrecada tampinhas de plástico, que são depois vendidas como material reciclável, com renda 100% destinada ao Instituto Amor 21. Atualmente, o Tampinha Legal consegue coletar mensalmente em Maceió cerca de 1 milhão de tampinhas, o equivalente a duas toneladas de plástico, gerando um incremento de aproximadamente R$ 3.200 para a entidade.
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“Ao lado de outras doações, esta é uma entrada que nos ajuda um pouco com os custos de operação da Amor 21, que hoje giram em torno de R$ 40 mil mensais”, afirma Tony Cabral, diretor de Relações Institucionais da entidade. “Mas, mais do que o significado financeiro, que nos últimos anos foi impactado pela queda do preço do plástico reciclado no mercado nacional, nossa adesão a este projeto se dá por seu objetivo de conscientização socioambiental, mostrando como o simples ato de guardar uma tampinha, quando repetido em massa, pode ter efeitos muito significativos. Para compensar a redução do valor do plástico nesse momento, seria muito importante, por exemplo, que os parceiros trouxessem à nossa sede as tampinhas, reduzindo nosso custo com esse transporte de coleta”, diz.
A queda no preço do plástico reciclável citada por Tony é fruto de variações do mercado produzidas, em grande parte, pela importação de resíduos sólidos feita desde 2019. A maior oferta de material acabou por derrubar o preço do resíduo recolhido pelos catadores no Brasil. Para mudar esse cenário e voltar a incentivar mercado nacional de reciclagem, o governo brasileiro instituiu, desde agosto, um imposto de 18% para os resíduos de papel, plástico e vidro que forem importados. Antes, os plásticos pagavam 11,2% e os papéis e vidros eram isentos dessa taxação. A mudança nas alíquotas é parte da estratégia adotada pelo governo para conter a crise no setor de reciclagem nacional, que envolve também outros subsídios para as cooperativas de catadores.


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“Plasticoin”, a moeda do plástico
A aposta na educação das novas gerações, desenvolvendo desde cedo a noção de que é possível encontrar valor no que já não parecia ter utilidade, é outra frente importante para estimular a economia circular. Esse é o objetivo do Plastitroque, projeto iniciado pela Braskem em Alagoas em 2019, e depois adotado nos demais estados onde a empresa tem atuação, como São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Bahia.
Por meio de uma sensibilização de estudantes de escolas públicas das comunidades do entorno das unidades industriais, a iniciativa propõe a troca de resíduos plásticos por uma moeda social, a “Plasticoin”. Cada 300 gramas de plástico equivalem a 1 Plasticoin. Com as moedas, é possível levar para casa kits de alimentos não perecíveis, kits escolares ou de higiene pessoal e até uma squeeze.
Apenas em Alagoas, nas sete edições já realizadas em Maceió e Marechal Deodoro, mais de 22 toneladas de plástico já foram arrecadadas pelas comunidades participantes, resultando na entrega de mais de 1.300 kits de higiene, aproximadamente 13 toneladas de alimentos, e mais de 1.200 kits escolares para as famílias dos estudantes, impactando positivamente mais de 5 mil pessoas. O material coletado beneficiou oito cooperativas de reciclagem de Maceió e Marechal Deodoro com um incremento total de renda de mais de R$ 40 mil.
“O projeto desperta nos alunos e suas famílias um novo olhar sobre os resíduos recicláveis, ajudando a conscientizar as comunidades sobre a importância do descarte adequado de materiais plásticos”, diz Milton Pradines, gerente de Relações Institucionais da Braskem. “Para todos, a experiência é uma aula prática sobre o quanto a economia circular pode representar para a sociedade e o planeta”, completa.
