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Justiça de AL condena PMs acusados de matar suposto traficante

Os três envolvidos no crime foram condenados por latrocínio; os policiais militares foram identificados após delação premiada

A Justiça de Alagoas condenou os policiais militares Tiago da Silva Duarte, Manoel Felipe Júnior e Marcelo Acioli Costa pelo crime de latrocínio - roubo seguido de morte -, que vitimou João Pereira da Silva, vulgo “Joãozinho”, em dezembro de 2017, na cidade de Colônia Leopoldina. A vítima seria um suposto traficante da cidade. Os condenados ainda podem recorrer contra a decisão, que foi publicada no Diário da Justiça de Alagoas.

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Além do crime de latrocínio, o segundo tenente Tiago da Silva Duarte também foi condenado pelo crime de tortura. Já Manoel Felipe Júnior e Marcelo Acioli Costa foram condenados por organização criminosa.

Duarte teve a maior pena imposta, sendo condenado a 28 anos, oito meses e 15 dias de prisão e 141 dias de multa. Já Manoel Felipe Júnior e Marcelo Acioli Costa foram condenados à mesma pena: 24 anos e oito meses de prisão e 290 dias multa.

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A defesa do segundo tenente Tiago da Silva Duarte, composta pelos advogados Raimundo Palmeira e Gabriel Sena, diz entender que, apesar das acusações trazidas, o acusado efetivamente não possui participação nos crimes. “Inclusive, já adentramos com recurso e vamos aguardar a posição do Tribunal de Justiça, no recurso de apelação”, afirmou em nota.

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O CRIME

De acordo com denúncia do Ministério Público de Alagoas, o crime foi encomendado pelo tenente Duarte. Os promotores chegaram até os policiais após delação premiada realizada por um colaborador das investigações.

Segundo essa pessoa, o tenente Duarte é chefe de uma organização criminosa que pratica, dentre outros crimes, “homicídios, roubos, latrocínios e desaparecimentos”.

Conforme consta na denúncia, liderados por Tiago, os policiais teriam participado, na madrugada de 9 de dezembro de 2017, da invasão à residência de João Pereira da Silva, o que também acabou sendo confirmado pela viúva da vítima.

O tenente teria ido atrás de drogas e dinheiro, mas, como não conseguiu o que queria – apesar de Joãozinho ter prometido depositar R$ 20 mil em sua conta corrente, resolvera praticar tortura contra todos que estavam em casa. Por fim, ele teria dado dois tiros de pistola .357 na cabeça de Joãozinho. Os filhos do casal estavam presos num dos quartos do imóvel e ouviram os disparos. À época do fato, Tiago era comandante do Pelopes de Joaquim Gomes.

TORTURA

Segundo o MP, antes de praticar o assassinato, o tenente Tiago da Silva Duarte foi acusado de torturar a família da vítima. “Quando fui ao encontro do tenente Tiago, percebi que ele estava quebrando os dois dedos da mulher do Joãozinho. E ele estava querendo estuprá-la. Eu a vi de joelho com a boca nas partes íntimas dele. O traficante pedia para que o matassem, mas que deixassem sua esposa. E os filhos estavam no quarto ao lado, escutando a mãe gritar”, diz um trecho do depoimento do colaborador.

O delator também informou que o referido oficial “possui um conjunto de objetos destinados a torturar suas vítimas, a exemplo de um bastonete de borracha com pregos na ponta e uma grande agulha reforçada, e que esta última serviria para penetrar a região transitória entre a unha e a carne, extremamente sensível e dolorosa”.

Por fim, a denúncia cita que, após matarem o suposto traficante, os investigados ainda subtraíram duas televisões LCD, dois celulares, além de uma maleta de joias pertencente à esposa de João Pereira da Silva.

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