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Aluno de medicina, pai de 7: quem são os brasileiros mortos na Ucrânia

Conflito armado teve início em 24 de fevereiro de 2022 e já vitimou 4 brasileiros entre combatentes e ativistas humanitários

Quatro brasileiros morreram na guerra entre Rússia e Ucrânia, que já dura quase um ano e meio. O caso mais recente foi do paranaense Antônio Hashitani, de 25 anos, que foi morto em um confronto em Bakhmut, em território ucraniano.

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O Brasil não enviou tropas, mas há brasileiros que viajaram para a Ucrânia com a intenção de tentar ajudar de alguma maneira no conflito. Em sua maioria, eles fazem parte da Legião Internacional de Defesa Territorial da Ucrânia, um grupo paramilitar de estrangeiros organizado pelo governo ucraniano para combater na guerra.

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Segundo o Escritório de Direitos Humanos da ONU (OHCHR), cerca de 9 mil pessoas morreram na Ucrânia desde o início dos conflitos, em fevereiro de 2022, até o fim de julho deste ano.

Antônio Hashitani, 25 - Curitiba (PR)

Antônio Hashitani, um estudante de medicina do Paraná, morreu enquanto lutava em Bakhmut, na Ucrânia, na quinta-feira (3).

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Ele era aluno da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), em Curitiba, mas trancou a matrícula no terceiro ano de faculdade para participar de projetos humanitários. Ele estava na Ucrânia filiado a um grupo paramilitar.

Muito vinculado a causas humanitárias, Antônio já tinha participado de ações na África.

Em uma de suas idas à Tanzânia, ele ajudou a construir um parque para crianças.

André Luis Hack Bahi, 44 - Porto Alegre (RS)

O gaúcho André Luis Hack Bahi morreu no país europeu no dia 4 de junho de 2022. Ele foi o primeiro brasileiro a ter a morte confirmada pelo Itamaraty no confronto. Ele estava na Ucrânia desde fevereiro daquele ano.

André lutava pela Legião Internacional de Defesa Territorial da Ucrânia e teria morrido após se arriscar no fogo cruzado para salvar outros dois combatentes.

André tinha sete filhos e estava separado da esposa, com quem vivia em Quixadá, Sertão Central do Ceará, antes de ir para a Ucrânia.

"Ele disse que não era para nós ficarmos bravos nem pedir para ele voltar da Ucrânia. Ele iria até o final. Se fosse o fim dele morrer em combate, ele estaria feliz. A gente tem que pensar nisso e respeitar essa vontade do André", comentou a irmã, Letícia Bahi.

Douglas Rodrigues Búrigo, 40 - São José dos Ausentes (RS)

Douglas Rodrigues Búrigo morreu em julho de 2022, dois meses depois de chegar ao país saindo do interior do Rio Grande do Sul.

Ele atuava ao lado do Exército ucraniano em Kharkiv. A região foi alvo de um ataque aéreo que vitimou o brasileiro.

"Ele foi, a princípio, para serviço humanitário. A ideia dele era chegar lá e fazer serviço humanitário. Era o sonho dele ajudar, mas acho que depois deu errado, e foi direto para a linha de frente. E o mais errado aconteceu", disse a família.

Familiares afirmam que ele foi cremado na Ucrânia, e as cinzas chegaram ao Brasil em setembro de 2022, mais de dois meses depois da morte.

Foi realizada uma cerimônia de despedida, em 20 de setembro, feriado da Revolução Farroupilha. A urna com as cinzas de Douglas foi carregada por cavalarianos em São José dos Ausentes, e houve uma cerimônia de despedida na Igreja Matriz do município.

Thalita do Valle, 39 - Ribeirão Preto (SP)

Thalita do Valle também morreu em julho de 2022, em Kharkiv. Ela foi asfixiada devido a um incêndio no bunker em que se escondia. Ela tinha chegado ao país 3 semanas antes.

Era filiada à Legião Estrangeira Ucraniana, unidade militar de voluntários estrangeiros, e atuava como socorrista.

"Ela não era do Exército, chegou a fazer escola militar, mas não seguiu. Na função de socorrista, dentro do contexto da guerra, é natural aprender a manipular armamentos. Ela se tornou atiradora de precisão (sniper), e não de elite, por conta da própria função de socorrista. Todo socorrista observa a progressão e faz função de cobertura", explicou o irmão Theo Rodrigo Vieira ao g1.

No Brasil, ela esteve presente no resgate de vítimas em Mariana (MG), em 2015, e Brumadinho (MG), em 2019.

O corpo dela chegou ao Brasil oito meses depois da morte, e a família diz que os ferimentos não batiam com os laudos médicos.

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