Faz mal comer algo que caiu no chão, como fez a princesa Charlotte?
Em um evento voluntário em comemoração à coroação do rei Charles III, a menina de 8 anos não hesitou em comer um biscoito que havia deixado cair no chão pouco antes
A princesa Charlotte, filha do príncipe William e da princesa Kate Middleton, foi flagrada em uma situação inusitada na segunda-feira (8/5). Em um evento voluntário em comemoração à coroação do rei Charles III, a menina de 8 anos não hesitou em comer um biscoito que havia deixado cair no chão pouco antes.
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Embora a situação tenha chamado a atenção do mundo por se tratar de uma integrante da família real, ela é extremamente comum entre crianças. Mas será que representa consequências à saúde delas?
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O maior risco, segundo o médico Tadeu Fernandes, presidente do departamento de Pediatria Ambulatorial da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), é que o alimento entre em contato com alguma bactéria do tipo putrefativa presente em solos não higienizados.
Mecanismo de defesa


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Por outro lado, o médico lembra que o estômago é composto por um PH ácido, capaz de matar bactérias. “Nós temos um mecanismo de defesa contra a entrada de agentes externos”, afirma Fernandes. Para o pediatra, mais importante do que se prender a uma regra rígida, é ter bom senso.
Os pais devem levar em consideração fatores como o ambiente onde o alimento caiu, a limpeza do local e o tipo do alimento. Mas, ao contrário do que o senso comum pensa, a quantidade de segundos que o alimento permanece no chão pouco importa nessas situações.
“A regra dos três segundos é um número aleatório. É preciso ter bom senso. Se cair no chão de casa e ele estiver limpo, a criança pode pegar e comer. Agora, se cair em um chão contaminado, onde muitas pessoas estão passando e circulando, na terra ou em um gramado, onde animais possam ter feito xixi ou cocô, corre-se risco e não é recomendado que se coma”, detalha Fernandes.
No caso da princesa Charlotte, o pediatra chama atenção para o fato de o lanche ter caído em um gramado com movimentação de pessoas. “Quem passou nesse gramado? Cavalos, cachorros, gatos? Fizeram xixi? É um local contaminado e é recomendável não se alimentar com essa comida”.
Teoria da higiene
A teoria da higiene surgiu na década de 1970, quando o número de casos de pessoas com doenças alérgicas teve um aumento importante. Pesquisadores perceberam que o excesso de limpeza pode causar um efeito contrário à saúde.
Observou-se que quanto mais higiene uma pessoa tem e menos infecções ela sofre, menor é a quantidade de anticorpos formados, desviando o sistema imunológico mais para o lado alérgico.
Um exemplo clássico foi o que ocorreu durante o período de isolamento social da pandemia de Covid-19, quando as crianças ficaram dois anos em casa, em isolamento social total, sem contato com outras crianças em pracinhas, escolas ou creches.
“Essas crianças não ficaram doentes e também não desenvolveram memória imunológica. Com a volta a vida normal, elas estão muito doentes, os consultórios e os pronto-socorro estão lotados. Ter o contato com vírus e bactérias, sem exageros, é importante pra o desenvolvimento do sistema imunológico”, explica o pediatra.
Infecção alimentar
Em casos de infecção alimentar – onde as crianças podem apresentar dor abdominal, febre, vômitos e diarreia –, o primeiro passo é suspender a alimentação normal e oferecer soro oral para a criança. “Também é importante procurar o pediatra para que ele faça o aconselhamento correto”, sugere Fernandes.
