Preso hoje, Mauro Cid também é investigado no caso das joias
Oficial com mais de 20 anos de Exército, Mauro Cid foi escalado para a função de ajudante de ordens do ex-presidente pouco antes da posse, em 2018
Tenente-coronel e filho de general, Mauro Cid é ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL) — função de assistência direta, inclusive para assuntos de natureza pessoal. Oficial com mais de 20 anos de Exército, ele foi alçado ao posto pouco antes da posse do ex-presidente, eleito em 2018.
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Mauro Cid concluiu a Academia Militar das Agulhas Negras em 2000. Ele também foi instrutor da própria Academia e fez os principais cursos da carreira militar, como a escola de Comando Estado Maior, tendo sempre ficado entre os melhores da turma, como explicou Guilherme Mazui, repórter do g1 em Brasília em entrevista ao podcast O Assunto de 10 de março de 2023.
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Em 2018, Mauro Cid estava pronto para assumir uma função nos EUA, quando foi designado para ser o ajudante de ordens de Bolsonaro, que tomaria posse em janeiro de 2019.
Frequentemente, Mauro Cid era escalado pelo ex-presidente para missões espinhosas, como no caso envolvendo as joias milionárias vindas da Arábia Saudita. Foi o coronel quem articulou tentativas para recuperar os bens que foram retidos pela Receita Federal no aeroporto de Guarulhos.


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"Cid foi um ajudante de ordens que conseguiu ter mais influência que muitos ministros", avaliou Mazui.
Nesta quarta-feira (3), Mauro Cid foi preso pela Polícia Federal. Os agentes investigam um grupo suspeito de inserir dados falsos de vacinação contra a Covid-19 nos sistemas do Ministério da Saúde.
Na avaliação de Andréia Sadi, também em entrevista ao podcast O Assunto, Mauro Cid pode ser considerado a "memória do gabinete presidencial".
"Cid, de fato, se coloca nesse lugar de defensor do presidente. Mas nos últimos dias mudou um pouco de discurso por conta desse escândalo", disse Sadi em entrevista a Natuza Nery.
Mauro Cid também é alvo de inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) por suspeita de envolvimento no vazamento de informações sigilosas de uma apuração sobre um suposto ataque hacker ao sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O que faz um ajudante de ordens?
O ajudante de ordens assessora particularmente uma autoridade, como o presidente da República.
"O presidente é uma das autoridades que tem direito a ter um ajudante de ordens. No caso do presidente, é um trabalho em tempo integral. Os ajudantes de ordem ficam tanto em Brasília quanto em viagens dentro e fora do país e é um trabalho de assistência direta, inclusive para assuntos de natureza pessoal", explicou Mazui.
É comum ver o ajudante de ordens carregando objetos como pasta e celular da autoridade, além de recepcionar visitas, por exemplo.
"Traduzia artigos e intermediava contatos com algumas autoridades. Ele é fluente em inglês e espanhol. Ele abastecia o presidente com informações o tempo todo", conclui Mazui.
