Caso Marcelo Leite: mais um PM é denunciado por fraude processual
Policial teria confessado que dirigiu o carro da vítima, modificando a cena do crime; a vítima foi morta por um tiro de fuzil durante abordagem em Arapiraca
Um quarto policial militar envolvido na abordagem policial que resultou na morte do empresário Marcelo Leite, em Arapiraca, no Agreste de Alagoas, foi denunciado pelo Ministério Público de Alagoas (MP-AL) por fraude processual.
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Trata-se de Gustavo Angelino Ventura, o cabo Ventura, que, conforme consta na denúncia, admitiu perante a Corregedoria da Polícia Militar que, após ser prestado o socorro a Marcelo, conduziu o carro da vítima do local em que se encontrava em via pública para próximo à guarita do sentinela do 3º Batalhão de Polícia Militar.
De acordo com a denúncia, há indícios relevantes de que o policial Gustavo Angelino Ventura teve o dolo na sua conduta de alterar o estado de coisas em local de crime e, assim, levar a erro, dificultar ou mesmo inviabilizar o trabalho dos peritos e Juízes responsáveis pelo caso, que ficaram permanentemente sem acesso às informações resultantes do posicionamento e de eventuais vestígios próximos ao automóvel de Marcelo Leite, de modo que os peritos ficaram limitados às diferentes versões apresentadas pelos envolvidos até mesmo para fins de realização de reprodução simulada dos fatos.
"Nesse crime, faltou a inclusão, portanto, de um policial. A base são as investigações policiais, que forma feitas pela Polícia Civil e o procedimento disciplinar da corregedoria da Polícia Militar. O que se observa é que um desses policiais admitiu que foi ele quem efetivamente dirigiu o veículo e modificou a cena do crime para criar a narrativa de que tinha a legítima defesa", explicou o advogado Leonardo de Moraes, que atua como assistente da acusação.


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Outros três PMs já são investigados e acusados por homicídio qualificado, denunciação caluniosa e fraude processual. Eles foram denunciados pelo Ministério Público Estadual (MPE) em fevereiro de 2023. A vítima foi atingida por tiro de fuzil durante uma abordagem policial e morreu semanas depois, em um hospital de São Paulo.
"O requerimento foi feito para o MP, que é o titular da ação penal. Ele [MP] analisou as provas anexadas e argumentações feitas. Observou que, no inquérito, existe aquilo que a lei exige, que são indícios de autoria e prova da materialidade, e resolveu incluir essa nova pessoa como um dos réus", disse o advogado.

