Vítima de execução respondia na Justiça por assassinato havia 11 anos
Sinézio foi executado e o corpo foi encontrado, reconhecido e periciado. Ele aguardava julgamento por um crime ocorrido em 2012

Rogério Costa
05/03/2023 às 22:43 • Atualizada em 08/03/2023 às 9:41 - há XX semanas
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Tramita no Tribunal de Justiça de Alagoas (TJ/AL) o processo de número 0849644-49.2017.8.02.0001 que pronunciou o líder comunitário e estudante Sinézio Ferreira da Silva Júnior pelo crime de homicídio ocorrido há mais de 10 anos. O corpo de Sinézio foi encontrado em avançado estado de decomposição no sábado (04), em Maceió, após mais de 15 dias desaparecido. O exame cadavérico apontou que o estudante foi morto com um tiro na nuca e estava com as mãos amarradas, indicando que foi vítima de execução.
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Conforme os autos do processo, o estudante respondia a um processo pelo crime de homicídio ocorrido em Maceió, em 2012, tendo sido levado a júri popular pelo Poder Judiciário. O crime atribuído a Sinézio como suposto mandante aconteceu no dia 15 de setembro de 2012, por volta das 19h30, na Rua São José, próximo a uma quadra de esportes, no bairro de Ipioca, na região norte de Maceió.
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Os autos descrevem que Paulo Henrique dos Santos foi vítima de homicídio, atingido por diversos disparos de arma de fogo. Consta no processo que a vítima estava no Bar do Lielson e, ao sair do local, levou um tiro na perna. A vítima ainda tentou correr, mas acabou caindo mais à frente, quando foi atingida por diversos disparos de arma de fogo, vindo a falecer no local do fato.
Para o Ministério Público, Sinézio havia jurado a vítima de morte e que, por isso, teria contratado dois indivíduos para executar Paulo Henrique.


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Logo após o crime, ele teria ligado para os executores e perguntado “se já haviam feito o serviço”, além de, no dia em que a vítima estava sendo velada, ele teria afirmado que iria comprar uma pizza para poder comemorar a morte de Paulo Henrique.
Por isso, Sinézio foi acusado pelo crime e estava respondendo na Justiça, com a confirmação de ir a júri popular. O julgamento, no entanto, não havia ocorrido até então, em virtude de recursos interpostos.
O motivo do crime, conforme investigação, seria em razão da existência de uma rixa decorrente de uma discussão entre Paulo Henrique e o denunciado, por causa de uma bicicleta emprestada do padrasto de Sinézio. Esse pode ser um elemento importante a ser considerado pela investigação. O inquérito corre em segredo de Justiça. A Divisão Especial de Investigação e Capturas (DEIC) foi procurada para falar sobre a ligação dos crimes, mas se negou a comentar o caso, alegando que passará informações ao final do processo investigativo.
CONFIRA O TEOR DA DECISÃO JUDICIAL
O CASO
Sinézio foi executado sem chances de defesa e completamente subjugado, conforme ressaltou o delegado Igor, que revelou não poder informar até onde a investigação chegou e de que forma o encontro da motocicleta e do corpo da vítima podem acrescentar ao trabalho policial.
Segundo a perita odontolegista Claudia de Melo Ferreira, o cadáver foi identificado através do exame odontolegal. A arcada dentária do corpo encontrado foi analisada e comparada com uma radiografia panorâmica fornecida pela família, que permitiu a realização do exame e a confirmação da identidade de Sinézio.
A família da vítima procurou a polícia logo após o dia 15 de fevereiro deste ano, quando a vítima saiu de casa no bairro da Serraria, em Maceió, para encontrar-se com um amigo no bairro do Benedito Bentes e pegar um chip de celular.
Sinezio teria usado uma motocicleta para ir até o local e, desde então, estava sendo procurado pela família e pela polícia. As buscas chegaram a ser realizadas em área de mata, na Região Norte.
A motocicleta do estudante foi encontrada na última sexta-feira (3), em um rio, no Povoado Saúde, região Norte da capital.