"Nunca fui basiquinha. sempre gostei de batom vermelho", diz Alcione
Além de se preparar para a turnê de 50 anos de carreira, cantora vai ocupar o posto de musa do Camarote Nº 1 no Carnaval carioca
2023 será um ano de festa para Alcione. OK, o alto-astral constante e a energia vibrante da artista levam a presumir que, para ela, a vida é sempre uma festa. Mas, neste momento, há muito o que celebrar: aos 75 anos de idade, a cantora está comemorando o 50º aniversário de carreira e se prepara para percorrer o Brasil com o show Alcione 50 Anos. Em junho do ano passado, a Marrom (ela adora o apelido!) precisou gravar o DVD de estreia da turnê sentada, por causa de um pinçamento no nervo ciático. Dois meses depois, submeteu-se a uma cirurgia na coluna para tratamento de espondilolistese - a recuperação, felizmente, não poderia ser melhor.
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Além de torcer apaixonadamente pela Estação Primeira de Mangueira, Alcione vai curtir o Carnaval no posto de musa do Camarote Nº 1, um dos espaços mais concorridos e badalados da Marques de Sapucaí. Em entrevista exclusiva ao Terra NÓS, a cantora relembra momentos de sua trajetória pessoal e profissional e avisa: "o ano está só começando para mim!".
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Qual música de seu repertório você sente mais prazer em cantar? E qual canção é uma espécie de "biografia" sua?
Felizmente tenho inúmeros hits de carreira, músicas que caíram no gosto popular e que o público sempre me cobra durante os shows. Mas acho que a música "Não deixe o samba morrer" virou uma espécie de hino para os sambistas e não pode ficar fora de nenhum repertório dos meus shows.


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Qual foi o momento mais belo de sua carreira? E o mais difícil?
São incontáveis os momentos prazerosos da minha carreira desde o primeiro álbum até hoje. Seria difícil enumerá-los. Quanto aos difíceis, talvez tenha sido quando tive um problema nas cordas vocais. Graças a Deus e a uma cirurgia espiritual fiquei totalmente curada! E, de lá prá cá, já ganhei muitos discos de ouro e platina.
Como você define a sua espiritualidade? Costuma fazer algum ritual, como rezar todos os dias?
Sou espírita, mas dedico-me à espiritualidade sem preconceitos. Tenho fé nos orixás e santos, como uma boa brasileira que sou. E, sim, rezo com uma certa constância, principalmente porque tenho mais a agradecer do que pedir.
Em entrevistas você costuma falar como seu pai incentivou seu empoderamento, te ensinando a ser livre e a não depender de homem algum. Sua mãe também influenciou sua personalidade? De que forma?
Sim, tivemos (eu e minhas irmãs) esse incentivo. Ambos sempre procuraram nos mostrar o quanto seria importante construirmos nossas vidas de forma independente. Nossa mãe também foi uma mulher de muita personalidade.
Você se considera feminista?
Se ter seguido os conselhos dos meus pais e construído minha vida de forma independente é ser feminista, então devo ser (risos).
Você está namorando? Como define a sexualidade na maturidade?
Atualmente não ando na pista pra negócio, não. Mas também não estou morta... Acho que o sexo na maturidade é muito prazeroso e não fica devendo em nada.
Após a cirurgia na coluna, sua agenda se intensificou devido à celebração dos 50 anos de carreira. Como é sua rotina hoje? Você tem alguma prática específica para cuidar da saúde, sobretudo a da voz?
Acho que dormir bem é um dos melhores remédios pra voz, mas tenho meus cuidados. Depois da cirurgia retomei minha agenda, sim, e ela está ainda mais recheada por conta das comemorações pelo cinquentenário.
Recentemente foram publicadas algumas matérias especulando o seu patrimônio, que estaria em torno de R$ 350 milhões de reais. De quais luxos e prazeres simples não abre mão?
Achei bastante engraçada essa história! Não tenho a menor ideia de onde retiram tais informações. Aliás, não sou uma pessoa tão apegada a dinheiro assim. Gosto das coisas que a maioria das pessoas aprecia... E adoro ter condições de presentear entes queridos.
Musa do Carnaval, homenagem do Prêmio da Música Brasileira, estrela de musical, tema de Medalha de Mérito. Como se sente sendo tão celebrada?
Extremamente feliz!!! Nem dá para dimensionar a felicidade com tantas homenagens e presentes. É natural um artista procurar reconhecimento, aplauso. Mas esses afetos têm extrapolado todos os limites. Só tenho a agradecer.
O que pretende realizar ainda este ano?
Nossa, tanta coisa. O ano só está começando.
Entre tanta gente incrível que cruzou o seu caminho e já partiu, de quem sente mais saudade?
Tantos amigos se foram ultimamente. São muitas e enormes as perdas. Mas, certamente, sinto muitas saudades de amigos queridos como a Clara Nunes e do meu irmão Emílio Santiago. Eles fazem muita falta.
"Tem que cuidar, porque a gente quando não é bonito, tem que jogar um pano por cima." Li essa frase sua em uma entrevista para uma revista feminina e fiquei chocada. Você não se sente linda?
Eu procuro me cuidar, não deixar a peteca cair... Mas obrigada pelos elogios, nessa altura do campeonato são mais do que bem-vindos! (risos).
Você é do tipo que se monta para ir à esquina? É um prazer para você cultivar a vaidade?
Sempre fui muito vaidosa, sim, acho que precisamos nos cuidar, valorizar. Minha mãe sempre dizia: "quem não se ajeita, a si mesmo enjeita". Eu nunca fui basiquinha... Sempre gostei de brilhos, roupas vistosas, batom vermelho.
Ainda toca instrumentos? Qual?
Sim, de sopro. Principalmente trompete, que adoro.
Você tem feito publis para a Nivea e foi capa da "Vogue Brasil". Até uma década atrás, mais ou menos, era impensável ver uma mulher negra e 50+, mesmo famosa, anunciando produtos de beleza e em capa de revista. O que mudou? O que ainda pode mudar?
Estamos conquistando espaços, mostrando que o Brasil é diverso, diferenciado... E o mundo começou a nos enxergar. Além disso, o próprio mercado está, finalmente, entendendo que existe um público-alvo imenso a ser considerado. Muita coisa está mudando, mas precisamos avançar ainda mais. Até porque somos a maioria da nação brasileira.
Você transmite tanta força que é praticamente impossível imaginá-la em um momento de vulnerabilidade. O que a faz se sentir vulnerável e como lida com isso?
Quem não tem seus momentos vulneráveis e de fragilidade? Não sou exceção, mas procuro lidar com isso da melhor maneira possível e, às vezes, com a ajuda de pessoas nas quais confio e admiro.
Por último, o que diria para os fãs que acompanham sua trajetória há tanto tempo?
Obrigada por caminharem ao meu lado por tanto tempo. Sem os fãs, jamais chegaria onde estou. Eles são fundamentais para o sucesso de qualquer artista.
