Aos 80 anos, morre o professor e intelectual Luiz Sávio de Almeida
Muito querido no meio acadêmico, professor deixa legado que ajuda a contar a história de Alagoas
Um dos intelectuais mais queridos e conhecidos de Alagoas, o professor Luiz Sávio de Almeida morreu nesta sexta-feira (10), de causas naturais, no Hospital Medradius, em Maceió, onde estava internado. Aos 80 anos, deixa um legado imortal de muito conhecimento, que ajuda a contar a história de Alagoas. Conhecer a história do estado, inclusive, sem passar pelos escritos dele, é algo praticamente impossível.
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De acordo com amigos da família, ele deixa seis filhos e nove netos, além da esposa, Myrian Almeida, com quem era casado há mais de 40 anos. O velório acontece nesta sexta, a partir das 14h30, na Capela 4 do Cemitério Parque das Flores. O sepultamento ocorre às 18 horas.
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Professor emérito da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Sávio era uma pessoa diferenciada, que passeou pelos mais diversos campos de estudo. Alem de historiador, ele também compartilhava muitos conhecimentos em Sociologia, Antropologia, Teatro e Literatura.
De acordo com o jornalista Ênio Lins, que teve o privilégio de conviver com o professor Sávio, até musical ele chegou a fazer. Aos 80 anos, tinha muitos planos ainda e desejava publicar pelo menos mais cinco livros.


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"O Sávio não era só um intelectual, era uma pessoa muito vasta e que deixa muita coisa inédita. Ele tinha iniciado cinco livros, que não chegaram a ser publicados", pontua Ênio, destacando que o professor Sávio estava com a saúde debilitada e havia descoberto um câncer recentemente.

O cientista social Bruno César fala com carinho do amigo Sávio, com quem tinha uma amizade de quase quatro décadas. Ele ressalta a importante contribuição do professor Sávio para as ciências sociais de Alagoas, destacando ter sido ele o responsável por redirecionar tematicamente a pesquisa social.
“Sávio é meu amigo desde o tempo em que entrei na universidade, em 1986. São quase quatro décadas de convivência. Eu acompanhei muito de perto o trabalho dele. Foi um companheiro de departamento, de trabalho, de pesquisa e de muita conversa. Sávio foi o primeiro a desenvolver uma sociologia histórica. Ele fazia uma interpretação histórica com elementos da análise sociológica da sociedade”, afirma.
Bruno conta ainda que o professor Sávio cobria uma área muito grande de temáticas nas Ciências Sociais. “Devemos a ele um olhar mais constante sobre os grupos étnicos, a cultura popular, os mais abastados, os operários e os comunistas. Ele tem uma importância enorme para as Ciências Sociais de Alagoas. É um autor importante para qualquer pesquisador social que se volte a estudar a nossa realidade”, relata.
No ano passado, ao completar 80 anos, o professor Sávio foi homenageado pela Edufal, em um evento que contou com lançamento de livro, exposição, momentos artísticos e culturais. Na ocasião, os presentes fizeram questão de ressaltar as muitas qualidades que ele carregava, como a generosidade, a humildade e a alegria.

